15 agosto 2010
21 maio 2010
Rotina em Los Angeles

Lindsay acordou às duas da tarde, naquele dia quente de julho. Pegou os óculos escuros que já estavam na cabeceira da cama e levantou-se. Cheia de fome, não comia desde a terça passada, foi à cozinha do seu quarto de hotel e descobriu que não havia nada comestível. A não ser as camisinhas daquela festa que teve semana passada com os meninos do Jonas Brothers e ainda estavam no balcão ao lado da calcinha da Ashley Tisdale.
Vestindo a roupa com a qual dormira, saiu do quarto, pegou o elevador e foi até a cafeteria mais próxima. Pediu um café descafeinado, pensando na dose de cocaína que iria cheirar antes de pentear o cabelo. Nada de exageram na adrenalina. Pediu também um daqueles croissants de queijo brie.
Voltou para o quarto ignorando os olhares dos fãs, que admiravam seus cabelos ruivos, sua pele ressecada colada nos ossos das costas e a blusa dos Animaniacs que cobria seu seio murcho e sem sutiã e a calcinha da Ashley Tisdale, que ela vestira no caminho da rua.
Entrou no quarto, tirou os óculos e engoliu o croissant e o café. Tirou a blusa e foi ao banheiro. Aquela rotina matutina: vomitar, se pentear e cheirar um carreira de cocaína. Naquele dia ela estava com vontade de cheirar a carreira do Robert Redford. Mas se contentava com a do Al Pacino.
Foi à academia do hotel, flertou com os rapazes que malhavam e mostrou-lhe o bico do peito, imaginando quantos deles já teriam visto uma ruiva natural nua. Eles dariam uma boa sacanagem qualquer sexta-feira antes da gravação do programa da Ellen. Ah, dariam.
11 abril 2010
Do dia em que Lindsay Lohan saiu da reabilitação

Estavam lá pra recepcioná-la Dennis Quaid e Natasha Richardson. Ninguém comentou as gordurinhas que escapavam do suéter lilás. Todos só se preocupavam com as sardas. Será que elas ainda estariam lá? Que tipo de tratamento ela passara? O quanto aquele período na clínica de reabilitação teria influenciado a saúde das famosas sardas. Ela seria uma ex-viciada em remédios e cocaína, uma ex-atriz-mirim-adolescente adulta, uma ex-pessoa-com-peso-normal. Não é justo ela ser uma ex-sardenta também. Preocupada com o futuro da jovem atriz em decadência, Jane Fonda viu, com felicidade, de longe alguns fios de cabelos ruivos naturais e tratou de avisar Jamie Lee Curtis. Pra alguns, isso já era sinal de que as sardas continuavam lá. Para os diretores da Disney, a verdade só se concretizaria quando as sardas fossem devidamente vistas. O famoso Fusca esperava ansiosamente os passos que ela dava em direção aos amigos que lhe esperavam. Ele, que era sábio de verdade, sabia o que se passava na cabeça de todos aqueles astros hollywoodianos. “Gordinha tudo bem, mas sem sardas...” Seria o fim não só para ela, mas também para eles. Herbie acabaria parado numa prateleira empoeirada, nunca passaria na TNT e só seria lembrado pelo original, aquele que nem era seu parente, astro de 1969. Dennis Quaid também. Ela largou as malas no chão quando chegou perto deles. Jane Fonda foi a primeira a se aproximar, como se fosse uma avó amorosa. Abraçou-a calorosamente, tratando de ver se as sardas estavam onde costumavam estar. Quando voltou para o grupo de atores com um sorriso no rosto ficou subentendido o que ela tinha visto. A jovem atriz e cantora em decadência ainda exibia sardas no rosto. O rosto que agora era bem mais rechonchudo que fora outrora. Um a um, os outros amigos foram dando as boas vindas, todos animadíssimos com os projetos que tinham em mente para ressucitá-la. Ela só queria uma tintura loira. Estava de volta, saudável, como há muito tempo não lembravam dela. Ela gostava de saber que os verdadeiros amigos se preocupavam com suas sardas. Tem um monte de jovens atores que entram em depressão e se afundam no álcool por não terem ninguém pra se preocupar com as sardas. Elas precisam de toda atenção.
22 fevereiro 2010
Carta ao Senhor Presidente
Hoje estou aqui pra me dirigir ao senhor, deixar claro as mudanças pelas quais o senhor fora responsável, tratar do passado e das promessas. Ok, estou lembrado de que não houve promessas, exceto aquela famosa “Eu nunca vou fazer mal a você”.
Surpresa, senhor Presidente, o senhor fez.
Foram momentos até agradáveis e hoje, enquanto faço uma retrospectiva, na mais perfeita ordem cronológica dos acontecimentos, percebo o quanto imbecil eu fora. Afinal de contas, o senhor não passaria de mais um conhecido de bairro, daqueles que se vai ao cinema quando se está entediado. Culpa minha ter dado importância.
Nem se vestir como um presidente o senhor se vestia. Porque nunca esteve na moda para presidentes camisa de tecido fino preto, sobre blusa branca e bermuda jeans com cinto branco. Nem para médicos e sobre médicos eu tenho algum entendimento.
Analisando melhor os acontecimentos, percebi que o senhor me iludira, como qualquer político ilude a nação que o elegeu. Mas outra surpresa, você nunca foi meu eleito. Você é e sempre será o presidente da nação alheia. Ainda que eu lhe mande mensagens de celular que depois me envergonham. Isso é só pra eu me torturar e fazer jus à minha mania de sadomasoquismo.
Foi crocodilagem me telefonar no meio da madrugada depois do nosso primeiro encontro. Você sabia que eu estava carente. Bastava que você fingisse que nem lembrava mais de mim e só falar comigo de novo quando eu estivesse online, para marcar um sexo gostoso. Tantos fazem desse jeito. Sinceramente, eu prefiro.
Foi crocodilagem também dizer que gostava de mim, mesmo quando eu disse que você não precisava dizer que gostava de mim. Quando você diz isso eu acabo me envolvendo. Mas agora já entendi sua estratégia política. Tão previsível. Você é como todos os outros. Ilude.
E não se vanglorie por ter me feito o que fez. Em alguns aspectos há de ter sido bom você ter sido tão filho-da-puta, senhor Presidente. Pode ser que da próxima vez eu não caia mais nesses papinhos de candidatos. Quem sabe a casca não fique cada vez mais grossa. Alguém uma vez me falou sobre essa casca, mas eu não sei se entendi tudo sobre ela.

O senhor foi uma bela passagem pelo meu país das maravilhas. A Terra do Nunca nunca se esquecerá do senhor. Mas não garanto que semana que vem eu consiga lembrar dos acontecimentos como lembrei hoje para lhe mandar essa carta. Mas seu nome é inesquecível. E o cinto branco também.
Cordialmente,
Lindsay Lohan
xoxo
