Mostrando postagens com marcador Bônus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bônus. Mostrar todas as postagens

04 outubro 2011

Não te amo



Não pense que eu te amei ou que cheguei perto disso só porque escrevi sobre você. Não pense que escolhi sentir sua falta enquanto você está do meu lado. Eu simplesmente senti e escrevi sobre isso. Não pense que eu penso na noite em que nos sentimos em todas as outras noites da minha vida. Porque eu não penso. E isso é natural.

Natural como o amor que não sinto porque eu nem te conheço, ainda que vira-mexe tenha escrito cartas a você e publicado-as em meu diário. Ainda que eu tenha lhe dito para me ter, para me abraçar ou para só me abraçar, eu não te amo.

Não se iluda com meu amor, nem com a inocência dos meus olhos castanhos. Não há inocência que resista ao orgasmo, à cerveja, ao cigarro. Pode ser legal você contar para as pessoas que eu te amo, que escrevo sobre você, desde aquela noite há muito tempo atrás.

No fim das contas, nós dois sabemos que isso não existe. Eu só queria que você me abraçasse, que você me beijasse, que você me olhasse. Naquele momento, eu queria. E isso, definitivamente, não quer dizer que eu te amo.

07 setembro 2011

Dark room


De repente os olhos se fecham e só o que se sente é o cheiro de cigarro misturado ao de suor alcoólico daquela noite. E como toda noite é escura, os outros sentidos se aguçam nas pontas dos dedos da mão e nos fios de cabelo.

Quando sente a mão puxar os fios de cabelo tão ralos e finos, parece puxar dentro de si a noite escondida e toda a escuridão daquela noite. E como os olhos estão fechados, o que enxerga é o halo que semeia em seu peito cabeludo, debaixo dos anos que se passaram.

É como se todas as luzes se apagassem, consumidas pelas mordidas úmidas. As costas suadas e o toque do suor, que desce correndo pelo corpo trêmulo e escuro. Tomados pelo gozo combinado, aquele seca o corpo e banha a camisa xadrez.

Se o cheiro fosse suficiente. Se o toque dos dedos dissesse algo. Se o gemido e o elogio pudessem ser sentidos.

10 agosto 2011

Ilegais, imorais e gordos

menino do Rio
da caipirinha de maracujá e cinema na Voluntários
do temaki na Farani
"Quem segura o porta-estandarte Alcoolé Mini Bloco tem a arte"
"macaco quer banana?" Jack Kong
o único q pede 2 no Chico
responsável pela chaminé no meu albergue
forasteiro em Rio das Ostras (bem antes do Nova Lapa Jazz virar moda)
"rodoviária aqui? aff, senta lá!"
namorado de aluguel
ar arrogante
vinho dos desesperados
"careta vai queimar no mármore do inferno q é quente"
dados eróticos
réveillons de índio
apertador de bola Lucky
eleitor do presidente Kennedy (até Marilyn era)
caçador da escola campeã do carnaval 2010
samba canção...

só p dizer q os meus dias ficam mto mais ilegais, imorais e gordos com vc ^^

Isadora Pereira

09 agosto 2011

Faça um desejo


Eu quero andar até sentir minha perna formigar e, no final de tanto chão, encontrar uma quantidade imensa daquele mato baixo como relva meio úmida com cheiro de flores que eu só encontrei até hoje na casa de veraneio daquele caso estranho que tive há um ano e meio.

Eu quero deixar meu rosto largar toda a tensão que segura as rugas em seus lugares num sorriso bobo por qualquer coisa que me digam, por qualquer bobeira que eu veja sendo feita no outro lado da calçada enquanto vou para o trabalho de ônibus com ar-condicionado.

O que eu quero mesmo é sair por aí pela madrugada com uma garrafa de cerveja bem gelada na mão e, quando aquele vento frio que sempre bate às três e meia da manhã aqui no Rio finalmente bater pelas minhas pernas, parar onde quer que eu esteja e tomar um longo gole da tal cerveja que carrego.

Sentir o corpo todo amortecido pelo frio e por isso fechar os olhos e, quando abri-los, encontrar meu amor pendurado em meus lábios. Eu quero é que esse amor tenha gosto de amora daquelas que colhia do pé nas férias dos meus oito ou nove anos.

Eu quero oito ou nove anos para levantar da cama ou da cadeira de balanço onde provavelmente passei esse tempo todo descansando. E quando eu levantar, me olhar no espelho da esquina e ver a vida toda arrumada, como num dos filmes de arte que insistia em assistir, há oito ou nove anos atrás.

02 agosto 2011

Buceta de verão


A Buceta bem quis tomar sol naquela noite. Se emperequetou toda e foi. Colocou glitter na pele como maquiagem de carnaval e foi. Quem disser que glitter é ultrapassado que coma toda droga do mundo. E nisso inclua cocaína e o show da Claudia Leitte.

Tomar sol, se expor debaixo das luzes neon. Dá no mesmo. Às vezes, Buceta acordava com esse pensamento de verão. Tingia os cabelos de vermelho-fogo e saía pela da orla projetada, rodando e dançando ao som de uma diva eletrônica.

Soltava fumaça com cheiro de baunilha e fazia passos old school sob um arco-íris de tonalidades azuladas, aproveitando a matiz temática da cor fria para exibir um pouco o corpo quente que ganhara de Deus.

17 julho 2011

Dor


Tá doendo aqui. Te ver tão perto de mim e, ao mesmo tempo, tão longe... tá doendo aqui. Como dor de dente estranha e constantemente maldita, tá doendo aqui. Ver teu cabelo, sentir teu cheiro e tudo isso não ser pra mim... tá doendo aqui. Como irritação nasal que me faz enlouquecer, tá doendo aqui.

Eu só me pergunto por que você faz assim. Causar tanta dor logo em mim? Logo em mim, que só te quero bem, que não sei sentir dor alguma. Só sei que tá doendo em mim. Continuamente, tanto que qualquer um ao meu redor também sente. Do fio de cabelo à cárie do dente. Tá doendo.

12 junho 2011

Surtei


Surtei. Não vou fingir que foi diferente, mas eu surtei quando tudo, repentinamente, deu errado. Deu errado e eu não posso fingir que não deu. Só o que eu pude fazer foi surtar. E eu surtei. Enchi a caneca de vinho, comprei cigarros e junk food. Bebi, fumei, comi. Surtei.

27 fevereiro 2011

Pra não dizer que não falei do Oscar

Bravura Indômita - Jeff Bridges com uma voz irreconhecível e um sotaque de arrepiar os cabelos. Matt Damon realmente assumindo que está velho e gordo, mas nem por isso perdendo seu encanto. Os irmãos Cohen trazem uma belezinha juvenil para ressuscitar o velho-oeste e conseguem emocionar.



Cisne Negro - A trilha sonora é o Lago dos Cisnes. A protagonista é Natalie Portman. Odeio ser lugar comum, mas isso é a receita certa para um filme lírico. Não fossem as cenas obscuras e as sensações de agonia e pressão ao ver o esforço físico e psicológico das bailarinas. Não é porque tem bailarina que é filme de menina.



127 Horas - Agonia, angústia, nervoso, desespero e surrealismo. Eu ainda poderia escolher mais umas palavras pra descrever aquelas benditas 127 horas. Pensei que fosse impossível entreter e emocionar o espectador durante quase duas horas com um único personagem, um único cenário. Mas não. É de tirar o fôlego.



O Discurso do Rei - Impagável ver Colin Firth rodando no chão. Principalmente, depois daquela bela interpretação em A Single Man. É o encanto por trás da família real inglesa e a curiosidade que eles nos despertam. Era pra ser o filme sobre um líder, mas é o filme sobre um homem e seus medos.



A Rede Social - O dinheiro, o poder, o status. Nossa geração cresce em meio a amigos no Facebook e as ambições para o futuro. Amigos, amigos, negócios a parte. Sempre. Talvez seja a primeira vez que nós, usuários de internet, nos vemos retratados sem parecermos personagens do futuro. É contemporâneo, é presente.



O Vencedor - Mark Whalberg me fez esquecer que ele é ele. Que ele é o eterno carinha com a cueca da Calvin Klein. Christian Bale é bem mais que o Batman da franquia mais bem sucedida. E a Amy Adams... eu não me canso de adorar essa menina. Uma família que precisa entender o que é importante para obter a vitória. E um filme de família é sempre um filme de família.



Toy Story 3 - A gente precisa crescer e a parte boa disso, além de poder encher a cara e fazer sexo na Universidade, é começar a parecer um idiota, lembrando da infância e dos brinquedos daquela época. Fala sobre amizade e sobre sentimentos descartáveis. É impossível não chorar.



Inverno da Alma - Um filme inteso e realista, quase um documentario. Uma menina que tem que enfrentar o submundo do tráfico de drogas e a responsabilidade de garantir para os irmãos e a mãe um inverno menos rigoroso, coisa que ninguém foi capaz de garantir por ela.


A Origem - Efeitos especiais garantem um sucesso comercial e um roteiro interessante, com uma história misteriosa garantem um bom filme. É instigante, apesa de grande, e a primeira vista parece inovador. É uma linguagem batida, mas apresentada com toques de novidade. Eu não imaginaria uma viagem tão grande. E tem a Marion, mais o quê?


Minhas Mães e Meu Pai - Fala de assuntos cotidianos, da família do século XXI, mesmo que seja uma família fora dos padrões da sociedade. Duas mães lésbicas, de dois adolescentes que querem conhecer o pai. Uma boa maneira de mostrar que essas histórias existem e que essas famílias não têm nada de anormal.


18 fevereiro 2011

O aquariano



O aquariano do último dia de Aquário é como qualquer outro aquariano. Regido por Urano, tem como sua estação do ano o verão, ainda que não saiba o que isso quer dizer. Como qualquer aquariano, preza pela liberdade e pela originalidade. E olha que anda difícil encontrar algo realmente original, até em um aquariano. Talvez por isso se reinventa, mudando uma coisinha aqui, outra alí. Só pra fingir que é outra pessoa. Ora é de vanguarda e caga e anda, ora é só um rosto juvenil entregue aos lobos que não prestam.

Mas como qualquer aquariano, também contradiz algumas coisas que o horóscopo de hoje de manhã fala que existem em todos os aquarianos. Não é muito de amizade, é mais na sua, sem papo no MSN. Até tenta, mas parece não funcionar. Um grupo seleto se enquadra na sua lista, privilegiando os que estão distantes, que é pra se sabotar.

Não quer compromisso com nada. Nem com verdade, nem com dieta, nem com segredo, nem com ordem cronológica. É tudo só pra seduzir. Talvez por isso, se exile no Sol. De olho no futuro, ainda que muitas vezes ele pareça curto. De olho no humano, só pra rir da cara dele. Como um bom e qualquer aquariano. Dos que se preza, porque os que não se prezam... paciência.


Hoje o LOST CAUSE faz um ano, meu querido aquariano.

23 dezembro 2010

Do fim do ano



Natal é época de comprar garrafa de vinho, acender um cigarro e dormir tarde da noite, escutando fados portugueses. Suando, porque a gente insiste em fingir que vive na Europa nessa época do ano, quando pras bandas de cá faz sempre uns 37°C às nove, dez, onze da noite.

Natal é época de gastar, se endividar, comprar umas roupas e enfrentar o shopping lotado. No fim das contas, você vai acabar engordando mesmo e nada daquilo vai servir mais, vai ficar tudo encalhado no seu armário, pra quando aquela dieta finalmente surtir efeito. Se não for isso, as calças rasgam entre as pernas, porque isso que dá ter as pernas grossas, roçando a todo instante.

É época de comer mais do que deve e, a cada rabanada cheia de açúcar embebido em óleo de fritura ingerida, sentir aquele pouco de remorso, aquele leve inchar dos braços, da barriga, dos peitos e das bochechas, principalmente as bochechas.

Natal é época de pensar no ano-novo, uma semana depois. Decidir que esse ano vai beber até passar mal, encher a cara para fazer valer a pena nem que seja na última noite, quando estiver lembrando dos meses anteriores e pensando o quanto tudo fora em vão.

É época de se vestir de branco, ficando uns quatro quilos mais gordo do que realmente você é. Fazer novas resoluções, estudar mais, comer menos, transar mais, gastar menos. Sabendo que tudo é pura balela, dar os sete pulinhos, ou catorze para os mais desesperados. Fazer preces para casar. Na minha idade, a gente precisa ter certeza que vai casar.

É época de reencontrar os amigos da escola, da padaria, da catequese. Atualizá-los com as últimas novidades. Fulana casou, beltrano separou e cicrano agora fica com meninos também. E comer, porque essas reuniões sempre são em restaurantes.

É época de dormir e acordar um ano depois, rezando pra que todos dias do ano sejam assim. Como se dormir um dia e acordar um ano depois fosse a melhor coisa do mundo. Quase tão bom quanto tesoura afiada e a dança das Bachianas brasileiras n° 04.