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26 julho 2011

Ideal


Que tal acordar e encontrar o mundo ideal? Onde todos os gases são ideais. Onde as pessoas entendem essa piada ideal. É bem mais fácil calcular qualquer coisa para gases ideais. E a gente, que calcula cada passo, pensa muito nisso. Num mundo ideal, ele não teria ido embora, eu não estaria sozinha, com preguiça de fazer noitada e com medo de não entrar naquele vestido caríssimo que eu comprei há dois meses atrás, só por comprar, e ainda não usei. Num mundo ideal eu calcularia a variação de entropia só para gases ideais, não existiria energia de Gibbs. Eu estaria casada e de vez em quando pularia a cerca com aquele professor dos sonhos. Ele estaria desesperado, querendo que eu largasse tudo pra ficar com ele, porque ele já tinha largado. Num mundo ideal, eu faria faculdade nas horas vagas, entre um blog e outro que leio, entre uma pessoa e outra que entrevisto para o meu próximo livro.

11 junho 2011

Aquele professor


Aquele seu professor, dentro da camiseta pólo e da calça jeans ou daquela camisa de manga comprida branca que ele costuma usar dois dias seguidos na semana. Aquele professor parece existir só pra deixar no ar que ele trai a esposa. Que dorme fora e, por isso, não faz a barba. De quebra faz questão de parecer com o Malvino Salvador, falando com um sotaque do interior, o s puxado, a lingua presa. Quando te cumprimenta, passa a mão no seu ombro, e quando está numa festa, bebe cerveja. Aliás, cerveja já foi motivo de conversa. Aquele seu professor que insiste em fazer a barba em véspera de prova, pra mostrar que tem tudo sob controle. A prova pronta, a barba feita. Que fica feliz com o seu desempenho nas aulas, nas provas e vai falar com você nos corredores até o fim da faculdade. Terminar as disciplinas que ele ministra não deve ser sua meta. Nem terminar a faculdade. Pra que gastar tanta força com isso? Sua meta, quando todo ano inicia, deve ser levá-lo pra cama, tirar a camisa, morder a língua e desbravar o Malvino Salvador que tem ali.

07 agosto 2010

Daquela conversa sobre aquele professor

Uma cerveja: Estávamos os três, eu, você e ela.

Duas cervejas: Ela? Ela também estava?

Uma cerveja: Estava. Falou alguma coisa relacionada a mil e depois emendou com cervejas, mas eu não imagino que tenha alguma coisa a ver com mil cervejas.

Duas cervejas: Não lembro.

Uma cerveja: Ela falou dele. Lembra? Que ele desmunhecava.

Duas cervejas: Disso eu sempre soube. Vocês que sempre foram contra mim, diziam que era coisa da minha cabeça. Ela também já viu? E olha que ela nem faz aula nenhuma com ele, né?

Uma cerveja: Não. Ela é orientanda dele.

Duas cervejas: Jura?

Uma cerveja: Você não lembra mesmo? Ela falou do Aaron e de como ele é gostoso.

Duas cervejas: Eu falei alguma coisa?

Uma cerveja: Ela que falou. Falou também do Gustavo. E de como ele também é super gostoso.

Duas cervejas: E eu?

Uma cerveja: Você falou dele, que ele desmunhecava.

Duas cervejas: Mas ele desmunheca.

Uma cerveja: E o que isso quer dizer, afinal de contas?

Duas cervejas: Não sei. Não sei. (segura o queixo com a mão esquerda)