09 outubro 2011
Noite dos meninos
12 setembro 2011
Quase irmãos
16 agosto 2011
O grupo fechado
11 agosto 2011
Crise
08 julho 2011
Cadu
05 julho 2011
25 anos
23 outubro 2010
Sobre o moicano, a gonorréia e o metrô
09 outubro 2010
No fim da semana
07 outubro 2010
As mexericas de Miriam Leitão
11 agosto 2010
Entre o nada e o quase lá
03 agosto 2010
Parada

Eles dançam como se fosse carnaval, sob o sol das três da tarde às três da manhã. E cantam músicas atrás do trio-elétrico mais brega de todos os tempos. Carregam faixas com dizeres, se fantasiam e usam o salto alto que fica escondido o ano inteiro. Colocam as perucas, sorriem e bebem aquela cerveja. Sim, três por dez. Alguns se arriscam mais e levam uma garrafa de alguma bebida quente e os outros aparecem lá com a roupa do trabalho. Vi até meia arrastão. É a oportunidade perfeita de misturar quem vem da Zona Sul com quem vem da Zona Norte. E ainda sobra aquele gringo com o chapéu de palha do lado daquela mulata(?) de vestido grudado. Ainda tem aqueles que se asseguram da paz. Eles ficam lá em cima, na varanda, olhando o mar que vem depois do mar de gente. E o mar anda tão colorido ultimamente. Tem sempre uma mulher, em cima do trio-elétrico, cantando, dançando e falando coisas engraçadas. Normalmente alguém que pareça com a Preta Gil, que é a Claudia Leite daquele dia, daquela praia. Sim, ainda tem a praia, ao fundo, cheia de gente que se diverte todos os dias do ano e não só naquele feriado. Alguns se beijam, beijam os amigos e os amigos dos amigos. Ao mesmo tempo. Isso depende de cada um. O que importa é que está meio que tudo liberado. Não, não se assuste, é só um dia, só uma praia. As pessoas falam de orgulho e sorriem, porque orgulho dá alegria ou alegria dá orgulho. E falam como se fosse militância usar bermuda de surfista, piercing e desfilar sem camisa. Evite a palavra desfile. Faça uma parada, antes que a Farme de Amoedo exploda, e finja que o que está fazendo é revolução.
01 agosto 2010
Eu posso

26 maio 2010
Perfil Fake no Orkut

E daí que o Garoto namora o Perfil Fake no Orkut? Eles trocam recados, marcam-se em fotos, e roubam um a senha do outro pra escrever, no status ou em qualquer outra lacuna que o Google disponibiliza, que se amam.
E se eles se amam também não é problema nosso. Hoje em dia existe amor de todas as maneiras. Uma vez me disseram isso e eu acreditei piamente. O que importa é o amor, esse é o mundo moderno.
Perfil Fake no Orkut grita aos quatro ventos e aos outros também que o Garoto é a melhor coisa que já lhe aconteceu. Que depois dele o mundo se tornou melhor e todas aquelas lamentações que só os apaixonados no Orkut sabem o que significa.
As pessoas se perguntam o que Garoto vê em Perfil Fake no Orkut. Garoto teria chances de conseguir quem quisesse na fila de qualquer boate que enfrentasse. Ele iria entrar, beber, dançar e se enroscar com qualquer pessoa lá dentro. Mas por algum motivo ele prefere Perfil Fake no Orkut. Ele prefere entrar à noite na internet, logar no Orkut e inventar palavras para que o amor deles tenha sentido. Ele prefere preencher as lacunas de Perfil Fake no Orkut a ter suas próprias lacunas esvaziadas pelas filas de boates.
17 maio 2010
O filho perfeito

Era o filho perfeito, estudante universitário. Curso de Humanas. Falava algumas línguas com fluência. As outras, manipulava como ninguém. Sorria sempre no momento certo, isso era algo de que se orgulhava.
Nunca aprendera a andar de bicicleta, mas ainda assim era o orgulho da família toda. Principalmente da mãe, que era muito possessiva e andava satisfeita desde que descobriu que o crescimento dos pêlos pubianos do filho não tinha nada a ver com conhecer sua futura nora. Ou as futuras noras.
Ele nunca levava ninguém em casa. Exceto pelas amigas, era o que diziam os dois, enquanto todos se riam deles – o casal – rodeando a mesa do almoço de domingo. Eles coravam, como devia ser. Ela mais que ele.
Não sabia o que seria da sua vida se não fossem suas amigas, que aturavam o almoço com a sua mãe e as piadas do seu pai.
Ele seguia humanamente, na perfeição de um filho exemplar. Daqueles que não bebem e não voltam depois das onze da noite. Aquela mãe dormia tranqüila depois que seu filho estava na cozinha comendo a sobra da janta. Ele estava com fome. Fora exaustiva a reunião com seu orientador naquele quarto de motel.
04 maio 2010
Menino do queixo protuberante

Não se apaixone por meninos que tenham o queixo protuberante. Nem mesmo comam meninos assim. Eles são indigestos. Podem parecer educados, à primeira vista, mas são uns espertinhos. Há muita sabedoria escondida debaixo de tanto queixo. Alguns vêm com a desculpa de que o problema é dentário ou no maxilar. A verdade é que o problema é de caráter. Eles só querem se aproveitar. Das suas piadas e dos seus amigos. Eles sempre gostam dos seus amigos. Eles gostam de ser amados e, por isso, são tão bonzinhos e educados. Não se engane com tamanha ilusão, nem com o tamanho do queixo. Sim, queixo. Sim, ilusão. Tanto quanto a sombra no pescoço. Meninos com queixo protuberante são a pior espécie. Eles vêm antes dos gordos e dos que deixam-rolar. E eu não digo isso só porque eu sou gordo. Nem porque eu deixo rolar. Digo isso porque sei. Eles querem amolecer você e te tornar inútil. Ninguém gosta de ninguém mole. E quando você está mole, eles revelam os mistérios sobre toda a protuberância do queixo. Eles só querem intimidade. Aquela intimidade que eu tenho com a minha amiga do Ensino Médio.
19 abril 2010
Maçã-do-amor

“Que cheiro é esse de maçã-do-amor?”, ele pensou, quando se aproximou. Na hora, teve a reação de voltar um passo para trás. Se distanciou um pouco da quermesse que exalava aquele cheiro. Vestia xadrez, como toda barraquinha de maçã-do-amor da região, e usava aqueles óculos de emo-gay-adolescente. É, aqueles que os artistas de Hollywood usam também. Também era moda entre as barraquinhas daquele tipo, na cidade. Mas o cheiro de maçã-do-amor, apesar de lhe embrulhar o estômago, lhe convidava a um pouco de doce. Era o que tinha de mais doce na lista da manicure. Maçã-do-amor só era páreo para invejinha-boa, mas todo mundo sabe que inveja nenhuma tem cheiro. A não ser aquela daquele cara que não tem que sentir cheiro nenhum de maçã-do-amor enjoativo. Começou a pensar num jeito de esquecer o cheiro. Se acostumar. Mas quanto mais pensava, mais o estômago embrulhava.
27 março 2010
Aquele menino
07 março 2010
DDD
Pelo menos ele sempre voltava com havia ido, excitado. Não era preciso nenhum esforço maior para que as coisas voltassem ao clima. Ele simplesmente conseguia manter o clima.
Quando voltava pra cama se amavam, porque ele era do tipo que fazia amor. Odiava falar de sexo casual, fazia carinho como ninguém. Não havia pessoa que não se derretesse aos seus encantos. Ele fazia qualquer pessoa se sentir única. Exceto enquanto estava no telefone.
Não tinha medo de ser descoberto. Ele sabia mentir da maneira certa e de vez em quando conseguia até se fazer de vítima, parecer inseguro, fingia ter medo de ser trocado por outro.
Mas nunca se sabe quando você será trocado, eu dizia a ele.
Enquanto isso ele ocupava a cama alheia, amando mais a si próprio do que a qualquer outra pessoa. Alguns diziam que ele estava certo. Eu sentia uma certa repulsa. Coisas do meu falso moralismo, da minha hipocrisia estendida na minha testa pra qualquer um que queira ver.
Trocava telefones, porque adorava telefonar. Aqueles malditos planos de celulares pré-pagos que te dão direito a falar horas pagando bem pouco. Quem pagava mesmo era quem esperava por ele na cama. Eu já achava caro pagar na mesa do bar. Quase nunca eu pago. Nem caro, nem barato.
Ele era do tipo que te chamava de “meu anjo” porque tinha medo de te chamar de “meu amor”. Amor só tem um, certo? E ele estava longe, esperando sua ligação. Mais trinta minutos de celular, mais 350 juras de amor (?), mais algumas mentiras, encenando uma falsa tristeza. Esse tipo de pessoa sempre parece triste pelo telefone. Pelo menos mais do que pessoalmente.
Quando ele volta pra cama, ele está excitado. Tem gente que acha que isso que é importante. Um telefonema pra outra cidade com o intuito de aquecer o coração de alguém amado e um sexo ereto com o intuito de aquecer a cama de quem se satisfaz com isso. Só com isso.
Porque ele era carinhoso, ele chamava de “meu anjo”. Já é melhor que chamar de coisa alguma. Porque até quando ele enganava era perfeito. Cada um se contenta com o que tem.
26 fevereiro 2010
Aham, Cláudia, senta lá
Ele não sabia nada sobre futebol, nem se importava que seu time estava na segunda divisão. Ele só dizia que torcia para aquele time porque seu avô o obrigara. É time de tradição, meu filho, neto meu não nega nossas raízes lusitanas. Ele nem sabia o que era segunda divisão.
Nunca soltou pipa com os meninos e sempre foi viciado em mangá. Principalmente aqueles que falavam de meninas com olhos estranhos, cabelos que variavam do lilás ao rosa-chá. Ele sabia a diferença entre lilás e rosa-chá.
Fingia que não sabia nada sobre blusa frente-única. Mas uma coisa era verdade, ele odiava Lil’ Wayne e funk. Uma festa que não tocasse Beyoncé ou Lady GaGa era uma festa perdida. Ele sabia as coreografias da Beyoncé, mas não gravava nada em vídeo caseiro para colocar no YouTube, afinal de contas, isso seria muito gay.
Ele era apaixonado por uma amiga nossa. Ela tinha namorado. Mas o namorado dela não curtia comida japonesa, não curtia Rihanna nem nunca lera um gibi (ou qualquer outro objeto que contenha letras). Por algum motivo, isso o tornava mais interessante.
Certa noite, ele foi visto numa boate gay. Blusa listrada, calça jeans e uns bons passinhos de musical da Broadway na memória. Bebia cerveja em copo descartável com o objetivo de ficar doido o suficiente para tirar a camisa e subir no queijo. Ele não malhava.
Exibia as axilas cheias de pelos. Mais uma herança do avô. Era o orgulho da avó, talvez por isso. Todo mundo quer um neto que tenha a axila cabeluda. Quanto mais pelos, mais responsabilidade, mais cedo ele se casaria com uma menina bonita e educada, de boa família, para irem juntos curtir uma comédia romântica depois de comer uma porção de sashimi de peixe branco.
Ele não usava a expressão curtir, nem qualquer outra gíria. Era antenado nos vídeos do momento e guardava as melhores frases para usar no seu dia-dia. Mas quando questionado se também era gay, negava.
Todo mundo percebia que ele era heterossexual. Não há gay que saiba dançar Single Ladies. Não há gay que sincronize os movimentos da mão e do pescoço tão bem quanto ele. Isso é puro preconceito. E isso não admitimos por aqui.
Mas naquela noite ele bebera muito. Nem sempre se consegue dosar direito o quanto de vodka com Red Bull devemos ingerir. E em determinado momento ele estava com algo pendurado no pescoço. E não eram os versos de uma canção da Gretchen. Não.
Aquilo tinha pés que calçavam entre 40 e 42 e aposto todos os episódios de Will And Grace que também tinha as axilas peludas. Sobravam traços da cultura ibérica naquele nariz.
Fiz meu papel e avisei. Não queria que ele passasse por gay. Às vezes a gente não sabe o que está pendurado no nosso pescoço. A gente pode nem sentir. Ainda mais se a gente estiver preocupado com os pelos nas axilas. E isso preocupa, cá entre nós.
Tem gente que queria comer ele só porque ele era hetero. Particularmente? Acho isso um absurdo.
25 fevereiro 2010
O garoto que bebia Heineken
A primeira deles não foi boa. E não era problema dela, disso ela tinha certeza. Fizera tudo direitinho. Ainda que eles estivessem em pé. Ainda que seus pés estivessem tremendo também devido ao excesso de álcool. Quem não perde um pouco de força nas pernas quando passa dos limites e exagera no álcool? A Lei Seca está aí pra isso.
No resto da semana, a gente observava ele com sua garrafa verde, pra tudo que era lado. Ele ostentava aquilo, como se ele até transasse bem. E esse assunto nos fazia discutir sobre as pessoas e como elas transavam. Se fodiam bem ou se fodiam mal. Ele nos enganou, alguns diziam. Maldita garrafa de Heineken.
Mas quem sofreu mesmo com tudo isso foi ela. Pobre coitada. Caiu no conto da Heineken. Ele andava com polo da Tommy, sapatenis de adulto, mas foder que é bom... necas de pitibiriba, como diria uma tia-avó minha. A Heineken sempre na mão esquerda. A direita coçava o saco e mostrava sua masculinidade.
Vai ver foi isso, sua mão direita estava ocupada enquanto transavam da primeira vez. Ele nem pôde mostrar sua masculinidade naquele dia, na parede do prédio. A esquerda segurava a Heineken, como habitual.
Outra certeza de que a culpa não fora dela nascia do fato de ele ter gostado. Ele queria repeteco, como diziam os pagodes da época. Ela daria a segunda chance, como dizia sua teoria.
Todo homem merece uma segunda chance. Mais que isso, toda transa merece uma segunda chance. É uma série de fatores que pode acabar levando um sexo a ser ruim e por puro preconceito ou preguiça de tentar de novo, você pode estar perdendo a foda da sua vida.
Mas na segunda chance ele não se ocupou de nada com a mão direita. E nem exibia a Heineken na esquerda. Mas a masculinidade também não estava por ali. Era estranho o modo como ele agia. Ele só queria tomar banho e fazer carinho. Ela queria beber a tão bendita Heineken e ouvir palavras de sacanagem com sotaque carioca. Vai dizer que não é o que toda menina de Zona Sul quer?
Duas chances eram o suficiente. Quando um homem não acha a masculinidade depois de duas chances, é sinal de que ela está muito perdida. Talvez afundada entre os cascos verdes e vazios das boas Heinekens que ele tanto se orgulhava de consumir.










