25 agosto 2011
Doce
10 agosto 2011
Ilegais, imorais e gordos
da caipirinha de maracujá e cinema na Voluntários
do temaki na Farani
"Quem segura o porta-estandarte Alcoolé Mini Bloco tem a arte"
"macaco quer banana?" Jack Kong
o único q pede 2 no Chico
responsável pela chaminé no meu albergue
forasteiro em Rio das Ostras (bem antes do Nova Lapa Jazz virar moda)
"rodoviária aqui? aff, senta lá!"
namorado de aluguel
ar arrogante
vinho dos desesperados
"careta vai queimar no mármore do inferno q é quente"
dados eróticos
réveillons de índio
apertador de bola Lucky
eleitor do presidente Kennedy (até Marilyn era)
caçador da escola campeã do carnaval 2010
samba canção...
só p dizer q os meus dias ficam mto mais ilegais, imorais e gordos com vc ^^
Isadora Pereira
05 julho 2011
25 anos
23 dezembro 2010
Do fim do ano
25 outubro 2010
Talento
05 agosto 2010
Supermercado
26 julho 2010
Entrevista de emprego

21 julho 2010
Do dia em que eu quase me suicidei

04 maio 2010
Menino do queixo protuberante

Não se apaixone por meninos que tenham o queixo protuberante. Nem mesmo comam meninos assim. Eles são indigestos. Podem parecer educados, à primeira vista, mas são uns espertinhos. Há muita sabedoria escondida debaixo de tanto queixo. Alguns vêm com a desculpa de que o problema é dentário ou no maxilar. A verdade é que o problema é de caráter. Eles só querem se aproveitar. Das suas piadas e dos seus amigos. Eles sempre gostam dos seus amigos. Eles gostam de ser amados e, por isso, são tão bonzinhos e educados. Não se engane com tamanha ilusão, nem com o tamanho do queixo. Sim, queixo. Sim, ilusão. Tanto quanto a sombra no pescoço. Meninos com queixo protuberante são a pior espécie. Eles vêm antes dos gordos e dos que deixam-rolar. E eu não digo isso só porque eu sou gordo. Nem porque eu deixo rolar. Digo isso porque sei. Eles querem amolecer você e te tornar inútil. Ninguém gosta de ninguém mole. E quando você está mole, eles revelam os mistérios sobre toda a protuberância do queixo. Eles só querem intimidade. Aquela intimidade que eu tenho com a minha amiga do Ensino Médio.
07 abril 2010
Rodízio de Pizzas

O dia em que a Pizza de Pepperoni se encontrou no mesmo prato que a Pizza de Tomate Seco Com Rúcula foi um dia especial. Ainda me lembro que era dia de semana, terça-feira. Beirávamos o final de março e chovia torrencialmente do lado de fora da pizzaria. Estava vazia, apesar de já estar na hora do almoço. E quando digo vazia não falo só a respeito da área reservada ao rodízio. Me refiro à pizzaria como um todo. Das 40 mesas do local, não mais que 5 estavam ocupadas. Em uma delas, entre as doze e doze e trinta daquele dia chuvoso, no Rio de Janeiro, se encontrava o Obeso responsável por unir aquelas duas pizzas. Pizza de Pepperoni estava meio engordurada, enquanto Pizza de Tomate Seco Com Rúcula exibia imensas folhas de rúcula. Elas eram de um verde espetacular. Pizza de Pepperoni ainda se lembrava quando ouviu a voz do garçom, ali mesmo onde estava, naquele prato de porcelana barata. Ele disse: “Tomate Seco Com Rúcula?” Em seguida a voz do Obeso: “Desce.” Foram rápidos dois minutos nos quais habitaram o mesmo prato. As pizzas felizes, pois nunca imaginaram que se encontrariam assim. Foi uma surpresa. Pizza de Tomate Seco Com Rúcula ficou assistindo Pizza de Pepperoni ser ingerida. O Obeso levou menos de um minuto engolindo-a. Foi um momento emocionante. Suas folhas se arrepiaram, os tomates deixaram parte do azeite escapar, tamanha emoção. Pizza de Pepperoni se despediu com um aceno discreto e mal-educado. Deu pra sentir o cheiro apimentado no arroto do Obeso. Pizza de Tomate Seco Com Rúcula sabia o que aquilo significava. Logo estariam juntas novamente, para toda a eternidade, localizadas na imensa papada embaixo do rosto do Obeso, vivendo felizes para sempre.
02 abril 2010
Sobrepeso

Era o quarto tratamento para emagrecer que ela fazia. Esse era à base de puro otimismo. Ela acordava, sorria na frente do espelho, aceitava os desaforos do chefe no trabalho, do trocador do ônibus e ia dormir com o sentimento de que o dia seguinte seria melhor. Era a receita que diziam ser mágica e infalível para emagrecer em torno de sete quilos em um mês. Sete quilos era o suficiente para entrar naquele vestido que seu amigo gay dizia que ela arrasava, anos atrás. Era o vestido daquela noite, quando ela beijou cinco pessoas, mas acabou sozinha comendo um cachorro-quente. Todo cachorro-quente tem sua parcela de culpa em sete quilos engordados. O prazo para o tratamento era de um mês. Ela já exercitava seu otimismo. Mesmo sem o tratamento acabar, já ia para as boates com o sentimento de que conseguiria descolar um beijo na boca de algum rapaz, nem que ele usasse roupa falsificada e morasse na Tijuca. Se não fosse um beijo, teria que ser uma passada de mão em sua bunda. Nesse caso, fazia questão de alguém da Barra ou da Zona Sul. Ipanema pra lá, perto da praia, no máximo duas quadras. Bebia bebida quente, que diziam ser menos calórica e sorria com o objetivo de aumentar seu otimismo e ajudar no emagrecimento. Lera a respeito em algumas revistas interessantes. Parecia que a Penélope Cruz usara essa dieta pra fazer Volver. O que se notava era uma falsa alegria, dessas que toda mulher magra exibe. Mas o vestido continuava pequeno demais para o seu quadril. Ela odiava seu quadril. O vestido era preto. Tamanho 36. Só quem veste 36 consegue ser feliz, disse uma vez certa pessoa sábia. Uma mulher que veste mais que isso há de ter problemas. Seja de relacionamento com homens ou roupas, ou de colesterol – para casos mais sérios. Não era o seu caso. No fim de um mês, toda aquela falsa verdade do otimismo foi por água abaixo. Ela continuava uma gordinha atarracada, com um sorriso assustador no rosto e piadas sobre qualquer tragédia. Daquelas gordinhas que vêem o lado bom de tudo. Até do manequim 44. As benditas gordinhas que se sentem bem gordinhas. Aquelas que traumatizam as que acreditam em dietas à base de otimismo e anorexia nervosa. Assim nasce o bom-humor. Que seja estranhamente feliz quem veste mais que 36.





