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07 agosto 2011

Sandra


Sandra não tinha nome de santa, nem o era. Lavou o quintal naquela manhã e só deixou minhas roupas lavadas no tanque antes de ir. Nunca mais voltou, nunca mandou carta. Nem feijão pronto deixou. E quando a vizinha por misericórdia passou minhas camisas, percebi que Sandra passou dos limites. Deixou um rombo naquela azulzinha, de seda bem fina e cara. Rombo maior que no meu coração, fino e caro. Quando dei por mim, vi que já não tinha isqueiro, nem tabaco. Que Sandra havia levado, sabe lá Deus por quê, já que nem fumava. E o meu salário, Sandra só não levou porque guardo escondido, mas fez questão de ficar até o final do mês pra me levar à miséria antes de ir. Nem ensinar nosso filho a mijar no vaso Sandra ensinou, mas saiu deixando-lhe um beijo vermelho no braço fino. O menino insiste em não tomar banho no lado esquerdo do corpo, pra não lavar o beijo que a puta da Sandra lhe deixou, enquanto a inhaca vencia o cheiro do cloro que usavam no banheiro. Nem quando houve telefone Sandra ligou. E eu pensando que era só isso que ela esperava. Alguma invenção moderna, ou o início de mais um mês com mais um salário. Mas Sandra não voltou.