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27 junho 2014

Pessoas rasas


Tem gente que não é tão profunda. Se é, não é profunda o suficiente pra encher um texto, um romance ou uma música barata. Às vezes acho que eu sou desses, que no fundo não tem nada dentro de mim. Que, por mais que eu floreie aqui, eu sei que eu termino na altura do joelho. Demoro a aceitar essa realidade. Insisto que sou especial. Escrevo meia dúzia de palavras. No fim do dia, não existe nada que me satisfaça mais do que me ver escrito. Mas quando eu me olho no espelho e me vejo vivo, dá até uma tristeza, daquelas tristezas meio frustradas. Ou é o meu reflexo ou é o mês de maio que está chegando. Sempre fico meio triste quando chega maio e nem é porque eu me lembro de ninguém. Porque eu não me lembro mesmo. E isso é coisa de gente rasa. Nada me faz lembrar nada. Nem o mês de maio chegando. Nada me desperta tristeza nem alegria. Eu continuo olhando os dias passarem, sorrio e fecho os olhos na hora de dormir. E quando eu sonho, se naquela noite eu tiver esse privilégio, quero sonhar com esse monte de sentimentos que não tenho, com essas histórias que eu conto uma atrás da outra. Queria sonhar com o rosto que eu não lembro, mas que fosse aquele rosto que dá calafrio, sabe? Esses calafrios que começam no estômago. Queria sonhar com isso.