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11 julho 2011

De olhos fechados


E todas as vezes que fecho meus olhos, vejo seus olhos me olhando, me encarando debaixo daquele chapéu de aba grosa e roxa. De um roxo escuro típico de fantasias infantis. Assim de lado, contraído pelas bochechas que sobem todas as vezes que você me sorri aquele sorriso que eu nunca consigo ver.

Eu não sei quem você é, mas sei quem são seus olhos. Eles falam para mim que me enxergam toda vez que eu fecho os meus olhos. E movimenta a cabeça assim, meio para a direita, deixando o chapéu pender para o lado e lhe dar um ar juvenil.

Quase tão juvenil quanto o roxo do chapéu ou o chiclete de tutti-fruti do qual sinto o cheiro. Talvez estejamos só mastigando chicletes, de olhos fechados, em duas esquinas distantes. Separados pela aba desse seu chapéu torto, sobre os olhos mais retos já visto na face da Terra.