28 setembro 2014
Boêmio
11 junho 2014
Precisa-se de amigos
06 outubro 2011
Aquela festa na casa do Barney
31 agosto 2011
Eu e minha amiga
09 agosto 2011
Faça um desejo
05 julho 2011
25 anos
17 junho 2011
Já tomei porre
11 junho 2011
Aquele professor
06 setembro 2010
1900 e antigamente
07 agosto 2010
Daquela conversa sobre aquele professor
03 agosto 2010
Parada

Eles dançam como se fosse carnaval, sob o sol das três da tarde às três da manhã. E cantam músicas atrás do trio-elétrico mais brega de todos os tempos. Carregam faixas com dizeres, se fantasiam e usam o salto alto que fica escondido o ano inteiro. Colocam as perucas, sorriem e bebem aquela cerveja. Sim, três por dez. Alguns se arriscam mais e levam uma garrafa de alguma bebida quente e os outros aparecem lá com a roupa do trabalho. Vi até meia arrastão. É a oportunidade perfeita de misturar quem vem da Zona Sul com quem vem da Zona Norte. E ainda sobra aquele gringo com o chapéu de palha do lado daquela mulata(?) de vestido grudado. Ainda tem aqueles que se asseguram da paz. Eles ficam lá em cima, na varanda, olhando o mar que vem depois do mar de gente. E o mar anda tão colorido ultimamente. Tem sempre uma mulher, em cima do trio-elétrico, cantando, dançando e falando coisas engraçadas. Normalmente alguém que pareça com a Preta Gil, que é a Claudia Leite daquele dia, daquela praia. Sim, ainda tem a praia, ao fundo, cheia de gente que se diverte todos os dias do ano e não só naquele feriado. Alguns se beijam, beijam os amigos e os amigos dos amigos. Ao mesmo tempo. Isso depende de cada um. O que importa é que está meio que tudo liberado. Não, não se assuste, é só um dia, só uma praia. As pessoas falam de orgulho e sorriem, porque orgulho dá alegria ou alegria dá orgulho. E falam como se fosse militância usar bermuda de surfista, piercing e desfilar sem camisa. Evite a palavra desfile. Faça uma parada, antes que a Farme de Amoedo exploda, e finja que o que está fazendo é revolução.
01 agosto 2010
Eu posso

26 julho 2010
Entrevista de emprego

05 abril 2010
O Sapo
É fácil de se compreender. Todo sapo, que sabe que é encantado, tem o sonho de se tornar homem. Todo sapo tem curiosidade de saber como serão suas pernas e a vontade de usar calça jeans. Todo mundo usa calça jeans, ele também queria usar.
Além disso, deve ser duro viver uma vida anfíbia, ao lado da princesa Sandy e seus cabelos cor de cerveja importada, sua pele branca e sedosa como chantilly e ter que aceitar ser só um sapo. Vendo o príncipe Feioso, maltratando-a, traindo-a e não lhe dando prazer.
Talvez Sandy sempre tivera uma queda por anfíbios, mas quando se está alcoolizado, perde-se o nojo. Quem é amiguinho da floresta se torna peguete e sapos se tornam homens.
Não satisfeito com aquela noite e com todas as outras que a princesa lhe dera a chance de passar vestindo calça jeans, o sapo – agora um homem não tão alto, mas ainda assim atraente – queria mais. Ele queria cortejar a princesa Sandy. Queria uma relação fixa, baseada em todos os princípios que ditam os contos de fada passados naquele reino.
Fazia planos de ver sua história sendo contada pras seguintes gerações. Ainda que ele não fosse o protagonista. Sapos nunca são protagonistas, as crianças preferem histórias de princesas, coisas da época. Um dia há de se fazer uma história de sapos.
Mas não contava com o fato de Sandy querer sair, querer conhecer outros homens e outros sapos. Dependendo do nível alcoólico, quem não garante que ela conheceria também outras espécies de animais?
Restou a ele tentar por um tempo e, cansado, fazer o que se faz: “partir pra outra”. Procurou em outros reinos alguma princesa, digna de sua homossapiência. Até encontrar Wanessa – a princesa sem sobrenome.
Foi uma noite memorável, quando apresentou ela aos animas da floresta. A princesa Sandy estava por lá. Os animais da floresta se dividindo pra agradar a duas princesas. As duas trocando olhares de contos de fadas e fazendo as graças que cabem às princesas.
Wanessa nunca foi muito confiante, o sapo sabia disso. Ela ouvia histórias de Sandy. Sabia que o sapo era amigo dela, quando ainda era sapo. Tudo estava mudado agora, ele vestia jeans, tinha uma princesa sem sobrenome e os animais da floresta abusavam de Onion Rings.
29 março 2010
Macaco quer banana

Estava numa roda de amigas, todas simpatizantes. Vestiam cada um uma cor fluorescente, mas ninguém dizia que se tratava de um grupo de gay/meninas-que-usam-esmaltes-multi-coloridos. Bebiam cervejas de todos os sabores, pois estava fazendo calor. Na mão direita todos eles seguravam ao menos um cigarro de filtro amarelo. Ele era feminino, mas carregava na cabeça um pensamento suicida e na bolsa um maço de cigarros fortes. Cigarros são sempre de filtro amarelo. A paz estava instalada até o macaco se aproximar. Ele usava perfume importado e era visivelmente do sexo masculino. Uma das meninas-que-usam-esmaltes-multi-coloridos poderia estar naqueles dias. Isso costuma atrair animais irracionais. Só os irracionais. Mas quando ele se aproximou da mesa e fez as canecas de cerveja multi-saborosas tremerem, ele foi na direção do menino. Talvez um tenha sentido o perfume do outro. Dizem que essas coisas se sente de longe. O homem é o mais próximo do macaco. Ele disse algo em uma língua inteligível. Balançava os braços peludos e mantinha uma mania de abrir e fechar o colete de couro. Tendência entre os macacos. Sob o pretexto de não se entenderem, de não haver comunicação, o macaco logo se viu abraçado ao menino. Do mesmo jeito que acontece entre outros tantos meninos e os gringos no carnaval. Mas o carnaval já não guardava histórias. Acariciou a cabeça do menino, sem parar de urrar naquele dialeto selvagem. Devia significar algo. Pediram uma porção de batata-frita porque a cerveja já era de banana. A todo custo queriam manter o macaco na mesa. Afinal de contas, todo menino precisa de um amor que não compreende. Ou de um sexo animal.
24 março 2010
Era uma vez...
Seu príncipe lhe deixou. Ela passou por um período ruim, de tristezas, que durou toda a eternidade de uma semana. O ponto final foi a festa do Reino, que seria numa quinta-feira quente de outubro. Ela foi com seus amigos, os animais da florestas, presos ao seu calcanhar.
Entre um cálice de vinho e outro, Sandy já havia consumido quase dois tonéis e dançava os funks da época com desenvoltura (like a whore). Um dos seus amigos, o sapo dançante e sorridente, se aproximou dela na pista de dança. Ela dançou com ele e lhe beijou, transformando-o em um homem não tão alto, mas apaixonado.
A festa daquela noite acabou. O antigo sapo tentava cortejá-la. Mas para Sandy, ele só era um sapo, um amiguinho, um dos animais da floresta. Ela queria conhecer. Ela queria ver o reino, queria conhecer os lados de fora do reino também.
Começou a ir a festas no underground, tabernas onde vendiam cerveja quente e tabernas onde se estapeavam por cerveja quente. Entrava em cabarés onde via homens beijando homens, mulheres beijando mulheres e onde era cortejada por meninos que fazem faculdade particular e usam tintura loira no cabelo arrepiado.
Às vezes levava uns números de telefone anotados no pergaminho que carregava sob as anáguas. Às vezes dava números falsos. Afinal de contas, depois de quase quatro anos nas mãos do temível príncipe Feioso, ela não poderia se envolver com sapos e frequentadores do undergroud pseudo-homossexual. Mas lá a bebida era tão barata...
25 fevereiro 2010
O garoto que bebia Heineken
A primeira deles não foi boa. E não era problema dela, disso ela tinha certeza. Fizera tudo direitinho. Ainda que eles estivessem em pé. Ainda que seus pés estivessem tremendo também devido ao excesso de álcool. Quem não perde um pouco de força nas pernas quando passa dos limites e exagera no álcool? A Lei Seca está aí pra isso.
No resto da semana, a gente observava ele com sua garrafa verde, pra tudo que era lado. Ele ostentava aquilo, como se ele até transasse bem. E esse assunto nos fazia discutir sobre as pessoas e como elas transavam. Se fodiam bem ou se fodiam mal. Ele nos enganou, alguns diziam. Maldita garrafa de Heineken.
Mas quem sofreu mesmo com tudo isso foi ela. Pobre coitada. Caiu no conto da Heineken. Ele andava com polo da Tommy, sapatenis de adulto, mas foder que é bom... necas de pitibiriba, como diria uma tia-avó minha. A Heineken sempre na mão esquerda. A direita coçava o saco e mostrava sua masculinidade.
Vai ver foi isso, sua mão direita estava ocupada enquanto transavam da primeira vez. Ele nem pôde mostrar sua masculinidade naquele dia, na parede do prédio. A esquerda segurava a Heineken, como habitual.
Outra certeza de que a culpa não fora dela nascia do fato de ele ter gostado. Ele queria repeteco, como diziam os pagodes da época. Ela daria a segunda chance, como dizia sua teoria.
Todo homem merece uma segunda chance. Mais que isso, toda transa merece uma segunda chance. É uma série de fatores que pode acabar levando um sexo a ser ruim e por puro preconceito ou preguiça de tentar de novo, você pode estar perdendo a foda da sua vida.
Mas na segunda chance ele não se ocupou de nada com a mão direita. E nem exibia a Heineken na esquerda. Mas a masculinidade também não estava por ali. Era estranho o modo como ele agia. Ele só queria tomar banho e fazer carinho. Ela queria beber a tão bendita Heineken e ouvir palavras de sacanagem com sotaque carioca. Vai dizer que não é o que toda menina de Zona Sul quer?
Duas chances eram o suficiente. Quando um homem não acha a masculinidade depois de duas chances, é sinal de que ela está muito perdida. Talvez afundada entre os cascos verdes e vazios das boas Heinekens que ele tanto se orgulhava de consumir.











