Maior besteira é se esforçar pra encontrar amor. No fim das
contas, o que sobra sou eu e o lado esquerdo da minha cama vazio. Melhor forçar
um sorriso, sair pra beber, falar palavrão. Melhor mesmo é fumar um maço de
cigarros infinito, porque só depende de você quando o maço acaba e os cigarros
te abandonam. Não faz sentido conhecer gente nova e viver uma história de três
noites na tela do iPhone. Bom mesmo é viver com segurança a vida da Lady Mary
Crawley na tela da TV por cinco temporadas, de setembro a dezembro. O que não
faltam são Ladys Marys.
Ninguém precisa de ninguém, nem de nada. Hoje eu sei que é
possível abrir mão de um amor como os da Disney ou do sonho de doce de leite
daquela padaria de Copacabana, que eu comia quando eu saía da noitada, uns seis
anos atrás. Agora nem sei mais o endereço daquele lugar. Mas tudo fica bem, um
dia a gente aprende. A princípio você se sente mal, dá vertigem, é como um
abismo pra morte. Mas a verdade mesmo, aquela que você descobre depois que abre
os olhos e toma uma caneca de café preto, é que ninguém morre por estar só.
Ninguém.


