01 fevereiro 2015
Esses
05 julho 2011
25 anos
29 maio 2010
O mal do século

A verdade é que o metrô é um ambiente rico em diversidade. É cheio de micro-organismos, aos quais somos expostos diariamente sem nem percebermos, quando pegamos a Linha 1 ou a Linha 2. Alguns deles só olham a gente, de longe, encostado no tubo de metal entre a velhinha que vai buscar a aposentadoria e o rapazinho de aparelho que vai pra aula do ensino médio. Isso quando o indivíduo que olha não é a velhinha da aposentadoria ou o rapazinho do ensino médio. Eles mandam aquele sorrisinho maroto e jogam a cabeça pra direita, como quem diz “Já é?”. Eles adoram dizer “Já é?”. E ainda existem aqueles mais agressivos, que basta entrar no vagão, percebem a nossa fragilidade, a nossa vulnerabilidade à sua espécie, e se colocam o mais próximo que podem. Tão próximos que parecem nos tocar, carinhosamente, que é para que aquele ato não seja doloroso, quando você lembrar daqui a uma semana. Carinhoso para que quando a gente entrar no mesmo vagão que eles estejam, eles possam de novo se aproximar e abusar da nossa receptividade. Existem pessoas receptivas a esse tipo de micro-organismo, acreditem. Essas pessoas preferem a doença da sujeira do metrô do que uma viagem tranquila. E, uma vez contaminadas, essas pessoas estarão acostumadas com a abordagem. É o mal do século, aquele que as autoridades não se preocupam em erradicar. O metrô está cheio deles.
30 abril 2010
Idiota

Antes de tentar ofender aquele infeliz com o celular no metrô ouvindo Exaltasamba, coloque os óculos escuros. Se já estiver com eles, ajeite sobre a curvatura horrível que deve ser o seu nariz e pense: eu sou um idiota.
Todo mundo tem um pouco de idiota, eu diria. E nem é porque você insiste em manter os olhos sem remelas, nem que pra isso você durma de olhos abertos. Dormir de olhos abertos pode ser um bom exercício de confiança. É porque é da nossa natureza ser idiota.
Sim, nós que pensamos na tendência como algo longe do que Gauss pensava. Que comemos batata Pringles na sessão 3D do cinema reclamando a falta de um cinema 4, 5 ou 276D na sua cidade. E quando você é daquele tipo que viaja milhas e milhas porque não sabe viajar em quilômetros pra ir na cidade vizinha ver Avatar 2?
Você acha que você não é idiota? Só porque você fala de livros que nunca leu e ouve músicas que não ouviria se você trabalhasse no salão de beleza da vizinha, aquele que todo mundo achava que você trabalharia? Você é idiota até quando está na universidade. Alguns na universidade só pioram, quando começam a fumar.
Então, antes de você puxar o revólver debaixo da sua calça saruel jeans, que já nem é mais tão fashion, saiba que você nem sabe o significado da palavra fashion. E saiba também que você não pode matar o coitado do cara que ligou na Beat FM. Ele não tem culpa dos crediários da Ricardo Eletro.
Respire fundo, ajeite os óculos escuros e dê uma volta na sua ignorância. Descubra o quanto é belo ser idiota. Pelo menos até os 25 anos. Depois disso, dê um jeito na sua vida. Nem que pra isso você precise ler ou ouvir o que o Pedro Almodóvar tem a ensinar.

