Eles são cariocas e, por isso, são um grupo fechado. São masculinos. São fortes e bonitos. Se vestem bem, moram na cidade e têm trabalhos que pagam dignamente. Vão às festas mais hypes, ouvem as melhores músicas e têm os melhores sobrenomes.
Ai daquele que ousar destruir a perfeição do universo ali ao redor deles. Justo eles, que defendem com unhas e dentes. Aquela casa e aquela camisa de gola V daquela marca que desfila em Milão.
Pior ainda se tem espinha, esse infeliz. Onde já se viu? Justo com eles que são cariocas, com sotaques perfeitamente cariocas e bronzeados importados das ilhas gregas, junto aos tecidos das roupas de reveillon. Se tiver espinha, aí é que não tem chance.
Fecham as janelas dos apartamentos e ligam seus rádios ouvindo canções que ninguém ouve. O telefone sempre no viva-voz para poderem trocar informações daqueles que pretendem romper o cadeado, com aquele sotaque arrastado com cheiro de maresia da praia do Leblon.
