POP é coisa de viadinho, já dizia Joãozinho, segurando aquela caneta esferográfica daquele jeito destemido. Gay ouve música popular, de preferência brasileira. Se for um nível superior de gay, ouve música francesa ou qualquer equivalente europeu. O resto, aqueles que ouvem Britney Spears e aquela mulher mulata com cabelo liso (sim aquela com a sobrancelha estranha), esses são viadinhos.
Joãozinho falava assim, no diminutivo, que era para fazer o efeito do desprezo que ele sentia pelos viadinhos. Ajudava o fato de todos eles serem pequenos. Quando ele diz pequeno, se refere só ao fato de medirem menos de um metro e sessenta e cinco, a isso e nada mais. O que sobrava era o que supostamente não era clichê e Chico Buarque.
Intercalava uma canção feita na Suécia com um filme italiano e tinha de saber de cor todos os versos desconexos, ou pelo menos eles eram assim para os viadinhos, das músicas eletrônicas que escutava quando ia à boate. Afinal de contas, precisava socializar. Gays socializam. Não com todos. Deixava de lado os viadinhos.
Se negava a assistir filme dublado e a usar corrente de prata, porque essa linhagem de viadinhos era a da pior espécie. Ele acreditava que faziam os que gostam de Lady GaGa se envergonharem. Por algum motivo todos os viadinhos se apaixonavam por ele e o chamavam por Joãozinho. Onde já se viu? João, um nome tão bonito.



