Explodiu bem aqui, na frente de seus olhos. Iluminando nossos céus com a luz de mil sóis gigantes, se fez presente. Durou uma eternidade aos que amam de verdade. E ainda existe para os que não amam. Surgiu do nada e criou a camada cósmica que nos protegeu de todos os males. Foi com a intensidade de um tapa na cara, de uma onda silenciosa, de uma noite lunar.
Arrepiou os pêlos do meu braço e possivelmente fez você senti-los , daí de onde você está. Fez da nossa galáxia algo tocável, só com a lâmina fina de radiação que jogou sobre a gente, eu e vocês. A pressão de nossos núcleos não foi suficiente, cedeu bem em frente a minha mão. Entrou em colapso intraestelar, não passa de um buraco negro.
Brilhou o quanto devia brilhar e ao apagar era o fim da supernova. Não passa de ar preenchido com o que, um dia, foi a luz de todas as estrelas. Traz a boca selada pelo invisível e os olhos abertos à espera da manhã. Quando a luz do sol iluminar de novo as calçadas nuas dessa nossa cidade, não haverá necessidade da luz que habitou o topo de nossas cabeças.






