Às vezes me pego pensando no tipo de gente que tem direito
de amar. Sabe? Aquele amor que você é capaz de dormir leve e acordar disposto.
Essa gente que não precisa de cigarro nem de chá. Que só ama. Eu fico pensando
e acabo chegando à conclusão nenhuma. A não ser isso de eu achar que todas
essas pessoas são burras. Aquele tipo de gente burra que fala burrice no Facebook.
Aquele tipo de gente burra que lê livro de receita e de auto-ajuda. Aqueles que
fazem planos idiotas pra um domingo no shopping. Ou elas são burras ou é minha
percepção que falha. Ou quem sabe seja o amor? Vai que ele desperta esses
sintomas mesmo na pessoa mais Nietzsche que existe por aí. Fico pensando se, no
fim de tudo, eu gostaria de amar. Se esse fosse o preço, não estou tão certo.
Não tô disposto a ler meu horóscopo todo dia, postar frases a pessoas secretas
em páginas públicas e esperar ser curtido por aí. Mas o que me diferencia
dessas pessoas é justamente o que eu venho sentindo falta. E eu na tô falando
disso de escrever errado e não saber as músicas mais hypes e os filmes
elogiados pela crítica. Estou falando de não ligar pra isso. Ou essas pessoas
são burras ou sou eu que tenho tempo de sobra pra ficar pensando nessas superficialidades
entre uma crise existencial e um gole de ki-suco. Só sei que me mata. Saber por
que esse tipo de gente tem direito a amar e saber quem foi o cretino que decidiu
isso. Me mata.
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09 fevereiro 2014
09 junho 2013
Daquele inverno
Meus invernos nunca mais foram os
mesmos. Desde aquele inverno em que você disse que me amava e eu simplesmente
não aguentei ouvir as palavras. Não dormi, não comi, não bebi, não gozei, não
fumei. Nem seu cheiro consegui cheirar depois daquele inverno. Não deitei mais
na sua cama, nem na cama de mais ninguém. Até hoje estou de pé, esperando o
próximo inverno chegar. E o próximo, e o próximo, e o próximo. Não importa
quantos casacos eu tire do armário, não importa quantas garrafas de vinho eu
abra, tinto ou branco. Não importa quantos julhos, agostos e setembros passem. E
quantos voltem. Aquele cheiro continua a me enjoar e eu não durmo, não como,
não bebo, não gozo, não fumo. Espero que tudo isso acabe, aquela neblina pela
manhã, aquela chuva fina e o ar condicionado que insiste em ficar ligado. Espero
que eu esqueça que eu não aguentei as palavras que saíram da sua boca naquele
inverno e espero que você esqueça também. Mas a estação passa e você não está
aqui. O ano passa e você não está aqui. Eu tenho que lidar com o resto dos dias
desse ano e dos próximos e dos próximos. Sem sentir seu cheiro. Eu não durmo,
eu não como, eu não bebo, eu não gozo, eu não fumo.
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