05 outubro 2010
Fim
20 setembro 2010
Ah, tá legal
27 julho 2010
A princesa cresce

08 junho 2010
Eclipse

11 maio 2010
Piru-rosa

Havia meses que o sapo não dava uma volta na floresta com os outros amiguinhos, aqueles que não eram encantados, não beijaram a princesa Sandy e não usavam calça jeans. Ele se dedicava inteiramente à sua nova princesa, Wanessa.
Wanessa impusera a condição de ele não encontrar mais nenhum deles. O bosque próximo ao poço estava terminantemente proibido. Mas não durou muito. Logo o sapo sentiu falta dos momentos de amizade e decidiu abrir mão do amor de Wanessa para poder continuar a desfrutar desses momentos.
O sapo estava de volta. Cada dia com uma calça diferente. Skinny, reta ou saruel. Os amigos receberam-no bem. Sandy tinha se reaproximado, as tabernas escusas ficavam só para o fim de semana, quando o reino não precisava de uma princesa.
Quando todos achavam que as coisas voltariam ao normal, que Sandy e o sapo teriam a chance de se conhecerem melhor do que se conheciam há 4 anos, boatos começaram a respeito de um possível envolvimento de Sandy com um príncipe da região.
O rapaz atendia pelo nome de Piru-rosa. Era doce, educado, olhos claros e cabelos aloirados e cacheados. Se passava tranquilamente por um anjo. Só seria descoberto pela bendita característica que lhe dava nome, afinal aquilo não se parecia com o sexo dos anjos. Sobre Piru-rosa não se sabia muita coisa.
Sandy começou a freqüentar os mesmos lugares que ele e por coincidência ele também era amigo de alguns animais da mesma floresta que Sandy era. Viviam trocando mensagens que os pombos levavam e traziam. Algumas mensagens eram bem irônicas e deixavam um ou outro sem palavras para a resposta. O pombo odiava esperar a criatividade chegar.
Ela estava disposta a investir. Ainda que ele parecesse muito infantil. Muito dócil. Principalmente se comparado aos camponeses que conhecia nas noites de sábado nas tabernas da corte. Piru-rosa também confessava para alguns animais interesse por Sandy.
Dentre os animais, o alce era o mais próximo dos dois. Ele sabia dos segredos de um e de outro. Sabia que não podia deixar Sandy se envolver com Piru-rosa. Não sem avisá-la do problema de mau-hálito que o rapaz tinha e que era de conhecimento de alguns animais da floresta.
Sandy se chocou quando soube. Aquilo não mudaria o carinho que sentia por Piru-rosa, nem a admiração que sentia pelos seus traços femininos. Mas impedia definitivamente que ela e Piru-rosa um dia unissem seus reinados.
05 abril 2010
O Sapo
É fácil de se compreender. Todo sapo, que sabe que é encantado, tem o sonho de se tornar homem. Todo sapo tem curiosidade de saber como serão suas pernas e a vontade de usar calça jeans. Todo mundo usa calça jeans, ele também queria usar.
Além disso, deve ser duro viver uma vida anfíbia, ao lado da princesa Sandy e seus cabelos cor de cerveja importada, sua pele branca e sedosa como chantilly e ter que aceitar ser só um sapo. Vendo o príncipe Feioso, maltratando-a, traindo-a e não lhe dando prazer.
Talvez Sandy sempre tivera uma queda por anfíbios, mas quando se está alcoolizado, perde-se o nojo. Quem é amiguinho da floresta se torna peguete e sapos se tornam homens.
Não satisfeito com aquela noite e com todas as outras que a princesa lhe dera a chance de passar vestindo calça jeans, o sapo – agora um homem não tão alto, mas ainda assim atraente – queria mais. Ele queria cortejar a princesa Sandy. Queria uma relação fixa, baseada em todos os princípios que ditam os contos de fada passados naquele reino.
Fazia planos de ver sua história sendo contada pras seguintes gerações. Ainda que ele não fosse o protagonista. Sapos nunca são protagonistas, as crianças preferem histórias de princesas, coisas da época. Um dia há de se fazer uma história de sapos.
Mas não contava com o fato de Sandy querer sair, querer conhecer outros homens e outros sapos. Dependendo do nível alcoólico, quem não garante que ela conheceria também outras espécies de animais?
Restou a ele tentar por um tempo e, cansado, fazer o que se faz: “partir pra outra”. Procurou em outros reinos alguma princesa, digna de sua homossapiência. Até encontrar Wanessa – a princesa sem sobrenome.
Foi uma noite memorável, quando apresentou ela aos animas da floresta. A princesa Sandy estava por lá. Os animais da floresta se dividindo pra agradar a duas princesas. As duas trocando olhares de contos de fadas e fazendo as graças que cabem às princesas.
Wanessa nunca foi muito confiante, o sapo sabia disso. Ela ouvia histórias de Sandy. Sabia que o sapo era amigo dela, quando ainda era sapo. Tudo estava mudado agora, ele vestia jeans, tinha uma princesa sem sobrenome e os animais da floresta abusavam de Onion Rings.
24 março 2010
Era uma vez...
Seu príncipe lhe deixou. Ela passou por um período ruim, de tristezas, que durou toda a eternidade de uma semana. O ponto final foi a festa do Reino, que seria numa quinta-feira quente de outubro. Ela foi com seus amigos, os animais da florestas, presos ao seu calcanhar.
Entre um cálice de vinho e outro, Sandy já havia consumido quase dois tonéis e dançava os funks da época com desenvoltura (like a whore). Um dos seus amigos, o sapo dançante e sorridente, se aproximou dela na pista de dança. Ela dançou com ele e lhe beijou, transformando-o em um homem não tão alto, mas apaixonado.
A festa daquela noite acabou. O antigo sapo tentava cortejá-la. Mas para Sandy, ele só era um sapo, um amiguinho, um dos animais da floresta. Ela queria conhecer. Ela queria ver o reino, queria conhecer os lados de fora do reino também.
Começou a ir a festas no underground, tabernas onde vendiam cerveja quente e tabernas onde se estapeavam por cerveja quente. Entrava em cabarés onde via homens beijando homens, mulheres beijando mulheres e onde era cortejada por meninos que fazem faculdade particular e usam tintura loira no cabelo arrepiado.
Às vezes levava uns números de telefone anotados no pergaminho que carregava sob as anáguas. Às vezes dava números falsos. Afinal de contas, depois de quase quatro anos nas mãos do temível príncipe Feioso, ela não poderia se envolver com sapos e frequentadores do undergroud pseudo-homossexual. Mas lá a bebida era tão barata...



