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02 junho 2014

Abraço


O que eu quero agora é um abraço, daqueles que não ganho desde os meus dezessete anos. Os abraços antigamente tinham cheiros de baunilha e laranja misturados e eram tão quentes e frequentes. Lembro de quase todos os que recebi desde então e nenhum deles fez com que eu me sentisse realmente abraçado. Alguns dizem que acontece com todo mundo, que com os anos a gente vai ficando adormecido e não sente mais abraço de ninguém. Eu não sei se acredito completamente nessas baboseiras, acho que eu sou é um miserável que não é abraçado devidamente. Parece que eu me enfiei em um buraco sem corda de salvamento e sem abraço. Por mais que eu tente entender esse olhar de pena que um monte de gente lança em mim como se tivesse o mesmo conforto que os abraços dos meus dezessete anos, simplesmente não consigo. Alguns dizem que acontece com todo mundo, que com os anos a gente vai ficando menos imaginativo. Eu não sei se acredito completamente nessas baboseiras, acho que eu sou é um miserável que não imagina devidamente.