O que eu quero agora é um abraço, daqueles que não ganho
desde os meus dezessete anos. Os abraços antigamente tinham cheiros de baunilha
e laranja misturados e eram tão quentes e frequentes. Lembro de quase todos os
que recebi desde então e nenhum deles fez com que eu me sentisse realmente
abraçado. Alguns dizem que acontece com todo mundo, que com os anos a gente vai
ficando adormecido e não sente mais abraço de ninguém. Eu não sei se acredito
completamente nessas baboseiras, acho que eu sou é um miserável que não é
abraçado devidamente. Parece que eu me enfiei em um buraco sem corda de
salvamento e sem abraço. Por mais que eu tente entender esse olhar de pena que
um monte de gente lança em mim como se tivesse o mesmo conforto que os abraços
dos meus dezessete anos, simplesmente não consigo. Alguns dizem que acontece
com todo mundo, que com os anos a gente vai ficando menos imaginativo. Eu não
sei se acredito completamente nessas baboseiras, acho que eu sou é um miserável
que não imagina devidamente.
