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07 dezembro 2014

Sardas


Eu gosto quando você diz que as sardas que você carrega nos seus ombros aparecem todas as vezes que você tem vontade de confessar o seu amor a uma certa pessoa. E você fala assim "certa pessoa" como quem tem vergonha de amar demais ou de todas as sardas que você carrega nos ombros. E eu passo horas imaginando que essa "certa pessoa" sou eu, mesmo que você nunca me diga quem é. Não importa o que eu prometa, você nunca me diz. Aí eu acho que você faz de propósito. Que essa é a sua maneira de dizer que me ama e que sente vontade de me dizer, mesmo que você nunca me diga. Pode parecer loucura, mas é assim que é. 

E toda vez que eu olho você e suas sardas nos ombros, eu sinto como se lesse meu nome. Como se elas formassem um coração. Todas essas coisas clichês que casais apaixonados escrevem em árvores ou em papéis de carta. Mas você prefere escrever na pele, mesmo que seja involuntário. E só quem pode ler sou eu. Talvez porque eu não esteja no meu melhor estado mental. Talvez porque fosse tudo o que eu internamente desejasse. 

15 setembro 2011

Freakness

Pegou na minha mão e saiu correndo por aí, na chuva. Gritava versos de Guimarães Rosa. “Se fosse só eu a chorar de amor, sorriria...”.

Pegou o casaco e a cartola. Ajeitou um em mim e outro em si próprio e seguiu, depois de alguns minutos correndo loucamente, a andar pela Avenida dos Aleijados.

 
Disse, no caminho, que não tinha muito que falar, que só queria andar ao meu lado e expor ao mundo quem somos.

“No cinzeiro cheio de cigarros fumados, os restos de uma carta...”. E daí nada mais fazia sentido. Andei porque era como minhas pernas respondiam à cartola que amassava meus cabelos.

E se alguém disser que eu me cale, até me calaria. Vai que seria assim, o fim de toda uma vida? E me peguei pensando. Vai...