Pegou na minha mão e saiu correndo por aí, na chuva. Gritava versos de Guimarães Rosa. “Se fosse só eu a chorar de amor, sorriria...”.
Pegou o casaco e a cartola. Ajeitou um em mim e outro em si próprio e seguiu, depois de alguns minutos correndo loucamente, a andar pela Avenida dos Aleijados.
Disse, no caminho, que não tinha muito que falar, que só queria andar ao meu lado e expor ao mundo quem somos.
“No cinzeiro cheio de cigarros fumados, os restos de uma carta...”. E daí nada mais fazia sentido. Andei porque era como minhas pernas respondiam à cartola que amassava meus cabelos.
E se alguém disser que eu me cale, até me calaria. Vai que seria assim, o fim de toda uma vida? E me peguei pensando. Vai...
