Mostrando postagens com marcador Glee. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Glee. Mostrar todas as postagens

01 agosto 2010

Eu posso


Eu também posso me arrumar e sair despercebido. Posso beber e não levantar minha voz. Eu posso fazer piadas e não ser nada ligado à sexualidade. Eu posso falar de futebol e de mulheres-frutas. Posso cuspir no meio-fio ou na rua inteira, você escolhe. Eu posso cantar “Parabéns pra você” e não ser a versão da Marylin Monroe. Posso usar gola pólo no lugar de gola V e não cantar nenhuma música da Beyoncé por uma semana. Da Lady GaGa eu posso ficar sem cantar por oito horas, é o meu melhor. Posso fazer noitada de pegação e beber cerveja quente. Posso até assistir filme do Eddie Murphy. E odiar musical. Posso comer churrasco no lugar de comida japonesa e não passar a língua no dedo pra limpar o molho Teriyaki que escorreu da minha temaki. Posso fazer compras e ser rápido. Posso nem gostar de fazer compras. Posso comprar um relógio discreto, quando eu tiver dinheiro. Posso ser controlado e não assistir Glee. Posso não ouvir música indie e posso não querer ler o livro do Chico Buarque. Posso nem gostar de Chico Buarque. Nem de Cat Power. Posso cagar e andar pros filmes dos anos 60. Posso não ligar pra fotografia noir. Posso não rir das piadas da Fernanda Young. Não visitar toda semana o papelpop.com. Posso usar perfume só pra sair. Paquerar na praia e virar os olhos pra ver quem passa por mim. Sabe aquele jeito que dá pena? Então, desse jeito mesmo. Eu posso. Posso não ter o DVD de Moulin Rouge, nem as músicas da trilha sonora e esquecer como se canta todas elas.

30 julho 2010

Pessoas que reclamam demais


- Boa noite.

- Boa noite.

- Diga seu nome e conte sua história.

Ele ficou um pouco constrangido com todas aquelas pessoas ao seu redor e começou.

- Me chamo Enjoado. Eu tenho 20 anos. Moro com minha mãe e irmã. Eu nem sei se tenho um problema mesmo, mas decidi vir aqui porque estava me sentindo triste desde o dia em que pararam de me ligar. De início, eu até achei bom. Eu sabia que não daria em nada mesmo. Até que bateu a carência, a depressão. Nessa hora, eu me apeguei nos meus amigos. Dizem que meus papos estão meio chatos, que eu só ando choramingando pelos cantos e pelas bordas, repetitivo. Eu juro que parei de falar disso. Juro. Meus amigos também pararam de me ligar, quase todos, e nunca mais me chamam pra noitadas porque eu sempre acabo bêbado mandando SMS pra qualquer um. De início, eu fiquei meio desesperado. Mas eu sabia que eu devia entrar no bate-papo da UOL e tudo melhoraria. Adicionei quatro pessoas que querem ver o que rola. Todas me bloquearam quando viram minha foto no MSN. Eu não quero reclamar, não. Mas às vezes parece que as coisas só dão errado comigo. Até ontem, eu tinha uma amiga. A única que tinha sobrado. A gente bebia, enchia a cara e terminava a noite com cara de choro, cheiro de cigarro e a boca toda engordurada da batata com calabresa ou do frango a passarinho que a gente dividia. Ela também parou de me ligar. Hoje à noite eu não tinha nada pra fazer. Nada. A não ser a garrafa de vinho, os nuggets na geladeira pra fritar e o episódio de Glee. É, o último. De repente notei que preciso de ajuda. Ainda há tempo pra mim?