A ponta da caneta mastigada, como os cantos dos meus dedos da mão direita. Em alguns pontos brotam sangue, em outros bicheira. Mas eu continuo seguindo, andando pela rua que me leva ao âmago das questões do amanhecer.
O cabelo levemente despenteado, como quem acabou de levantar do sofá, como quem passou a mão na cabeça repetidas vezes, preocupado com o rumo que a rua lhe dava. Se seguia a caminho da rua do âmago das coisas.
E enquanto seguia se perdia em seus passos. Sem nem perceber seguia à direita ou fora da linha. E parecia conhecer a todos pelo caminho errante, cumprimentava-os, sorriam de volta sem nem ao menos sorrir-lhes.
De cabeça para baixo, se equilibrando nas duas mãos machucadas, como um artista de circo, seguia o caminho à rua do âmago das questões do amanhecer. Porque só o que queria era se encontrar e nessa de se encontrar tratar de esquecer o resto do mundo.
