Agosto passou e você continua por aí, sumido. Como se essa fosse a solução pra gente. Eu nem sei o que é “a gente”. É confuso de pensar. Leva um tempo que eu não tenho mais. Eu costumava ter tempo pra você e pra gente, do mesmo jeito que você costumava estar por aqui. Agora você anda sumido e agosto anda passando. Daqui a pouco setembro. E com ele mais um ano. Nosso ano funciona de outro jeito. Esqueça o zodíaco. Me abrace como você costumava fazer quando você andava por aqui, achado.
É de um calor sem nome, sem tempo também pra dar nome aos calores. Eles existem, isso basta. Existem e me lembram o quanto você faz falta. Quase tanto quanto me falta o ar. Aquele ar que você costumava roubar de mim. Bastava você rir. Bastava você me ligar. Do outro lado do planeta. De repente o planeta parecia pequeno.
Não comece com esse sorriso, esse mesmo que imagino. Ele não basta. Eu quero suas palavras. Procuro por elas para começar mais uma jornada. Mas você anda sumido e eu não sei onde encontrar você. Quem sabe no fundo do copo de refrigerante? Quem sabe não é lá que você está?


