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30 abril 2011

Desculpem os erros de português



Porque eu tenho certeza que existem outros meninos como eu, que sejam tão tediosos quanto eu sou e que usem All Star de cano alto sem pretensões de rock and roll. Vão existir aqueles que falam de cinema e música, destacando os que quase ninguém conhece.

Não vai ser aquela mesma baboseira de contar nos dedos quantos beijos colecionaram naquela noite, simplesmente porque se tocaram que já passaram dos vinte e um e é mais do que hora disso parar. Não que eles tenham que ser chatos, como eu, mas ajudaria, mas eles têm que ser adultos. Não que eu seja adulto também, acho que não sou, mas eu não ouço mais Avril Lavigne nem vejo filme do Adam Sandler.

Tenho certeza que uma hora vai aparecer outros rapazes que usem pólo listrada e vistam G. Como é tão difícil encontrar alguém que vista G?! Por que todos eles decidiram, de repente, que devem ser magros? Que devem ouvir a Kylie Minogue?

Porque a cada dia eu rezo para que me apareça alguém com quem dividir momentos. Que não me achem tedioso porque também vão assistir Dexter, True Blood e discutir sobre a fotografia do último filme da Sofia Coppola. Afinal de contas, aquela fotografia quis dizer alguma coisa, não é mesmo?

Será que a culpa é minha ou só somos diferentes? Porque eu não gosto de falar sobre filosofia. Não mesmo. Mas também não ouço Ivete Sangalo. Tão difícil achar um meio termo? Eu segurei meu queixo com a mão direita e ajeitei-me naquela cadeira de vime, enquanto o sol a pino queimava a testa de quem passava pela rua.

E daí que seja só mais um dispensável? Depois de um dia inteiro, passam milhares assim. Eles vêm, vão, cantarolam uns trechos de qualquer música da Britney Spears e comem jujubas verdes até não agüentarem mais.

Depois disso tudo, eu que sou tedioso. Falando do conteúdo da minha geladeira e das cores que povoam minha cama das onze às duas da tarde. Mas uma hora isso vai mudar. Uma hora param de me chamar de chato, simplesmente porque vão me entender. Né?

25 abril 2011

Dream a little dream



Num mundo ideal, ninguém tem mais de um metro e oitenta. Só eu. E eu posso ver o mundo do alto, como eu sempre quis. Esse mundo ideal não tem calor. Só quando existe tesão ao redor e quase sempre é alguém que sente tesão porque eu comi uma pipoca doce caprichada no leite condensado. No mundo ideal, não me falta dinheiro, nem inspiração, nem elogios. E quando tudo parece tedioso, entram novos personagens, troca-se os redatores, aumenta-se o salário. No mundo ideal, o silêncio é constante e quando não é silêncio é Chico Buarque ou Aimee Mann. Todas as meninas loiras com menos de vinte anos que falam gírias com auto-tune são garçonetes caladas. Só falam com quem não lhes dá gorjeta. Existem elefantes de porcelana e por que não tocadores de cítara também? No mundo ideal, meninos e meninas se amam. Mas todo mundo se diverte. Todo mundo. E quando digo todo mundo, incluo Drew Barrymore e toda a sua família. É aquele clima de sorriso depois de cachorro-quente com hálito de cebola e sede de coca-cola.

22 abril 2011

Se fosse tão simples


Minha garganta coça. Meu cabelo ainda está despenteado, meus dedos fedem a cigarro. Ou a vômito, não sei bem. Mas minha alma ainda pula de tão feliz que está. Pula como um beija-flor que bate asas. Repetidas vezes, sem perder o ritmo, quase invisível de tão rápida.

Mas ainda dá pra vê-la. Minha alma que anda de cômodo em cômodo, parece refeita, parece agora compreendida.
Há dias não sofro de solidão e continuo sozinho. Há dias não ouço música triste pensando em como vou me emocionar, em como vou sentir os pêlos dos braços e da nuca arrepiarem, em como vou chorar de soluçar. Há dias não choro de soluçar.

Aluguei filmes de comédia e de aventura. Nada de histórias de drama, nada de vencedores do Oscar. Nada de pretensioso nem de filmes franceses. Fiquei com os filmes água-com-açúcar, fiquei com as trilhas sonoras leves e compostas de músicas comerciais.

Sim, ser triste é cult.

Bebi cerveja e fumei uns dez cigarros, em umas longas e divertidas 7 horas de sexta-feira para sábado. Horas em que falei de cinema, de tendência nude na moda primavera-verão, camisetas boyfriend para mulheres chiques, falei de Roberta Sá, de dívida no banco, de sexo casual.

E nem quando falei de sexo casual fiquei chateado, nem quando falei de sexo casual o assunto “eu sou um solitário” surgiu. E isso foi natural. Na hora nem me contive, não me impedi. Simplesmente não senti vontade.

Agora, notando essa minha leve mudança de comportamento, percebo o quanto exagerado soa dizer que tenho medo da solidão. O quanto desesperado é procurar a todo tempo alguém para conversar na internet, o quanto chato é viver entrando em sites e MSN para conversar com pessoas desconhecidas.

Parei. Alugo filmes e bebo sorrindo. Mando mensagens despretensiosas para amigos e ando conversando com mais pessoas. Me fechei pros outros ao meu redor e me abri um pouco pra mim mesmo. Acho que isso era o que faltava.

19 abril 2011

Da depressão


Eu estou tonto enquanto as palavras surgem no meu computador. O silêncio me dói a cabeça. Bem no meio do crânio. Em meus ouvidos zune um zunido contínuo. Eles parecem que vão rachar. Meu corpo todo parece que vai rachar.

Mas meus olhos estão secos. Talvez eu esteja seco por dentro. Um dia já levantei essa hipótese. Porque os filmes não me emocionam, as músicas também não. Por mais que eu procure as mais tristes. As que falam de amores e vidas perdidas por amores.

Eu nunca amei e talvez nunca chegue a amar. E talvez a culpa não seja de ninguém. Talvez a culpa seja minha mesmo. Por ser como eu sou. Mas eu não sei ser de outro jeito.

Enquanto as palavras surgem no meu computador, enquanto minha vista vai ficando mais e mais cor de laranja, pego meu celular, apago números de telefone, apago mensagens enviadas e mensagens recebidas. Com uma frieza que nem mesmo eu reconhecia.

Meu quarto está em silêncio, meus materiais de estudo estão espalhados pelo chão e a cadeira onde estou sentado de repente se tornou tão desconfortável. Tudo o que eu queria era que não tivesse tanta coisa jogada no chão pra que eu pudesse me jogar.

Eu espero acabar. Eu espero a frase que finaliza. A de maior efeito. E nem foi tão grave assim, era algo que eu já até sabia. Mas o sentimento (?) não sabe dessas coisas e pensa sempre haver chance para uma segunda chance.

As mãos geladas que seguravam meu pescoço não encontravam vida alguma. Eram as minhas mãos. Eu só precisava de uma palavra amiga. Porque eu estava mal. Não tão mal quanto normalmente eu fico. Mas era justamente esse fato que me deixava mais tonto. O fato de tudo aquilo não me afetar como me afetava outrora.

E quando acabou, eu já estava com o meu trabalho feito. Mais uma pessoa excluída da vida. Mais uma pessoa que não fará falta. Como todas as outras igualmente excluídas. Porque as pessoas são descartáveis e eu não sou o único que tem consciência disso.

Eu fechei o computador. Me deitei. E, sem sono, dormi. Porque eu estava cansado e já passavam da meia-noite. Fechei meus olhos e, antes que eu percebesse, estava dormindo. Hoje acordei tonto. Mais do que ontem eu fui dormir. Pisei nos papéis espalhados no chão, saí do meu quarto, bebi uma água. Vi comprimidos jogados perto da minha mochila. Meus comprimidos para ansiedade.

E tanta gente se faz de coitado. Eu sou só mais um.

17 abril 2011

Lorca

O poeta pede ao seu amor que lhe escreva

Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.
O ar é imortal, a pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.
Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre a tua cintura
em duelo de kordiscos e açucenas.
Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite de alma para sempre escura.

14 abril 2011

Dose de coragem



Se eu não sei me equilibrar, o mundo devia se alinhar aos meus pés. Principalmente depois de algumas doses de bebida barata ou tequila da Lapa, porque tequila da Lapa consegue ser a pior das bebidas baratas. Quando o chão perde o foco, o que eu tenho que fazer é dar o próximo passo, rezando para não errar. Vai que eu acerto, é uma chance que se tem, pra que desperdiçar? E vai que eu chegue inteiro no fim da noite e consiga dizer ao menos que sempre te quis, que você é o sonho da minha vida e outras coisas que se diz quando a bebida barata ou a tequila da Lapa não te impossibilita de falar? E se eu não puder falar, porque estou deitado numa cama, com os olhos perdidos, em coma, e a boca entreaberta, saiba que a culpa foi do álcool. Aquele álcool barato que tomei para ter coragem de te olhar nos olhos. Infelizmente passei da dose e estou aqui, deitado, com os olhos perdidos, mas ainda assim abertos. Eles com certeza olham para você, ainda que você não esteja aqui. Saiba que tudo o que quero dizer, e não posso, é que você é meu sonho e que eu te amo e essas outras coisas que só o álcool permite. Porque, quando o chão parecer uma nuvem, eu vou sim fingir não perceber e vou dar o primeiro passo, ou o próximo, me jogando onde quer que seja, só pra fingir que esse é o melhor caminho pra chegar a você.

11 abril 2011

Na sua mão



Segurei na mão dele e jurei que nunca mais voltaria atrás. Isso logo depois das juras de amor que ele tinha me feito. Não que me abalasse. Não me abalam mais. Foi-se o tempo em que ouvia aquela voz e, de repente, passavam pela minha cabeça pensamentos escusos que não tenho nem nunca terei coragem de confessar. Mas naquele momento, segurei a mão dele. Olhei em seus olhos e repeti as palavras que tanto ensaiei na frente do espelho. Não hei de voltar atrás, não com você, não agora. Não depois de tudo o que passamos. A primavera e o inverno que foram, aos seus modos, longos e brilhantes. Não nesse verão que se estende. Vou manter minha palavra, rapaz. Você pode apostar. Vou continuar olhando nos seus olhos, como olhei naquele momento em que segurei a sua mão, e vou dizer as palavras que estarão na minha mente. Você se surpreenderia com meu poder de concentração, acho que você não sabe mais quem eu sou. Talvez eu deva te contar, abrir uma brecha, baixar a guarda e te contar, enquanto seguro uma de suas mãos. Nada de suor, nada de nervosismo. É só pra explicar no que eu me tornei. Aquele pedaço de carne seca, desossada e sanguínea. Agora isso tudo não passa da minha mão, segurando a sua mão e os meus olhos, olhando pra você. Minha boca  diz que não voltará mais atrás, que eu não voltarei mais atrás. Minha cabeça, surpreendentemente, pensa a mesma coisa. Agora é definitivo, baby.

08 abril 2011

O casal



Eles viviam momentos de alegria, entre um beijo na boca e outro na nuca. Nunca tocaram outras besteiras e nem comiam pizza de calabresa. Era contra a filosofia daquele casal. Passavam o fim de semana se deliciando ao sol de dezembro, ainda que fosse julho ou agosto. Faziam aniversário todos os dias, como aconselhava o coelho que os seguia de perto. Viviam em um mundo encantado, onde todos tinham menos de dezessete anos e mais de quinze. Comiam antes e depois daquele ritual ao qual não sabiam dar nome. Só sabiam que era algo mágico, aquilo de, repentinamente, estar sujo e limpo. O calor que sentiam era logo refrescado pela beleza do dia seguinte. As noites costumavam ser quentes sob o pano grosso que se estendia na cama. Só sabiam que continuavam por lá e não havia quem pudesse tirar. Ainda assim se alegravam com o toque da campainha toda hora, antes do telefone tocar. Era uma sinfonia rotineira, lá por volta das oito da noite. Quase antes dos rituais recomeçarem e o dia ter o fim merecido. Só sabiam elogiar as artes que cresciam ao seu redor, dentre elas, Machado e Morissette. Não se preocupavam com o que vinha pela frente. Afinal de contas, quem é que se preocupa?

05 abril 2011

Entrelinhas



Por que você anda sumido? Tem dois meses e meio que eu não transo com ninguém. Chico, chicote! Continuo o mesmo, um de cada vez. É como cigarro. Se eu folgar domingo. Quer casar comigo? Felicidade é um bem natural. Odeio essa bagunça aí no chão. São sempre as mesmas frases. Eu não sei deduzir um processo isoentálpico. A gente devia ter visto uma peça, não um filme. Só gente bonita e bronzeada. Ainda bem que eu tenho uma desculpa. Parada? Pelo menos eu me dei bem em algo. É como se eu fosse muito novo pra ser velho e muito velho pra ser novo. Pode ser só uma fase. O próximo será comprado. Ow, você tá brincando, né? Você falou de mim, sim. Pois é, agora eu estou com ele. Como eu digo que te amo por um email? Agora você não concorda que eu tenho mais motivos? Mas nenhum filme presta mesmo. E blá, blá, blá. Eu só lembrava de você. Eu preferia ter sífilis. Como era mesmo o nome, elo? Põe mais um lugar na mesa. Por Deus não aconteceu algo pior. Eu só vejo rezar e nada de comer. Não está dando mais pra mim, não. Aos vinte e cinco tudo volta o normal. Assim espero. Sem tempo de namorar? Eu continuo na mesma. Como eu gosto de Avril Lavigne. São tantas referências. Eu já vi isso. Poderia ser mais clichê?

16 novembro 2010

Eu já...



Me apaixonei por pessoas do blog.
Me apaixonei por pessoas da rua.
Me apaixonei por pessoas do metrô.
Me apaixonei por pessoas da pastelaria.
Não me apaixonei.

Fiz sexo sem vontade.
Fiz sexo no banheiro do trabalho.
Fiz sexo com desconhecidos.
Fiz sexo com amor.
Não fiz o sexo que deveria fazer.

Chorei por uma amiga.
Chorei por minha mãe.
Chorei por uma briga.
Chorei por trabalho.
Engoli choro por alguém.

Confundi açúcar com sal
Confundi óleo de soja com guaraná Antártica
Confundi homem com mulher.
Confundi amizade com namoro.
Confundi namoro com amizade.
Confundi sexo com amor.

Roubei bala na barraca na frente da escola.
Roubei brinquedo na mercearia da rua do meu primo.
Roubei caneta de professor.
Roubei namorada de amigo.
Roubei amiga de namorado.

Fingi ser virgem.
Fingi ser sexualmente ativo.
Fingi saber quem era Marc Jacobs.
Fingi estar interessado.
Fingi estar quase lá...

Tirei zero em prova.
Tirei dez.
Tirei dez por um semestre inteiro.
Desejei tirar a melhor nota.
Dei cola errada.
Dedurei cola.

Tomei café sem nada.
Comi pão com strogonoff
Comi salsicha crua no super mercado.
Comi lingüiça também.
Fiquei dois dias sem comer.
Vomitei depois de um rodízio.
Vomitei depois de um sexo.