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20 setembro 2010

Ah, tá legal

Muitas vezes não adiantava o quanto se esforçava. A sorte não brilhava para Sandy. Sua nova empreitada, o príncipe Legal, logo se tornou passado. Tudo ocorreu por volta de um mês depois daquela noite fresca em que se conheceram.

Depois daquele fatídico dia, Sandy e Legal se encontraram algumas vezes, saíram algumas vezes e chegaram a beijar na boca algumas vezes. Os dois pareciam satisfeitos com o caminho que se dava aquele acordo romântico e como aquilo afetaria a estabilidade de ambos os reinos.


Sandy se resguardou das tabernas, bares e botecos e se esforçou para acompanhar o ritmo alucinante de Legal. Recém terminado de um namoro com uma mera mortal, Legal parecia abalado, disposto a superar a ex-pretendente e encantado pelos efeitos do loiro mágico dos cabelos de Sandy.

Por outro lado, nossa princesa se via sonhando com o futuro ao lado de Legal, de tão legal que ele era, e parecia já superar as tragédias mais recentes de sua vida real: o Sapo, Piru-rosa e príncipe Feioso.

Mas todo semestre tem seu fim e as atividades no reinado começaram a ficar cada vez mais exaustivas e sugando as forças de princesa que habitavam o sangue e o suor de Sandy. Por algumas semanas, ficou sem ver Legal e sem acompanhar seus passeios no bosque e as festas do reinado do rapaz.

Até que descobriu que Legal andava se reaproximando da Ex-mortal. O rapaz tentou ser honesto, como há de tentar ser todo e qualquer príncipe legal. Explicou que não sabia qual caminho teria aquela relação e outras palavras que Sandy nem se deu o trabalho de ouvir.

Cascuda e experiente, depois de meses entregue à própria sorte amorosa, Sandy decidiu se afastar de Legal e esperar o semestre acabar e as atividades no reinado lhe darem tempo para digerir mais um tropeço nas ruas do amor.

27 julho 2010

A princesa cresce


Algum tempo depois...

Era uma noite fresca, dessas amenizadas pelo sabor da caneca semi-congelada de cerveja, ao som de uma banda ao vivo, último sucesso do reino. Sandy relaxava porque era sábado. Relaxava e aproveitava para reencontrar os amigos.

Fora muito trabalho até então. Muito esforço e muita paciência para amadurecer. Amadurecer requer dessas coisas que Sandy não era acostumada. E naquele dia ela estava ali só para relaxar.Com o mesmo tom de pele claro, o cabelo misteriosamente mais aloirado e as roupas de uma cantora jovem que cresceu.

Na mesa em que estava com os amigos da floresta sentou-se dois desconhecidos. Uma plebéia que crescera nos quintais de um dos animais, ainda que isso não faça sentido e o príncipe que a carregava naquela coleira de aço escovado.

Os amigos fizeram amizade com o casal novo e Sandy logo pôde perceber a beleza do príncipe, que veio a saber se chamava Legal. Legal não era mais que isso: legal. Fazia piadas engraçadas, um curso superior interessante e carregava plebéia numa atitude estranha naquela coleira.

A noite passou e Legal continuou a procurar Sandy. Mensagens e mais mensagens chegavam com os pombos de seu castelo. E algumas eram endereçadas aos amigos da floresta. Não era costume no reino manter tanta intimidade só com umas cervejas numa noite em uma taberna.

Logo notou-se o interesse de Legal por Sandy e que aquela atitude entre o príncipe e a plebéia era insignificante. Sandy e Legal se encontraram mais uma vez e aprofundaram os laços da relação. Se beijaram e como era de se imaginar não foram sinos o que ela escutou. Foram previsões do que vinha por aí.

Ela era uma mulher, uma princesa que continuava cantar e encantar ao lado dos animais da floresta. Mas os acontecimentos recentes fizeram-lhe desabrochar a maturidade. Ou parte dela. Não havia como evitar. Sandy estava pra começar, mas de uma maneira bem diferente.