E
todas as noites me trouxeram aqui. Todas as músicas, todas as roupas, todos os
lenços sujos. E eu nunca liguei realmente por estar sozinha porque eu me
divertia com todos os que estavam comigo. Eu bebia, eu dançava, eu transava.
Fazia tranças que atavam os meus cabelos aos de todos eles e, por isso, não nos
separávamos nunca mais. Eram todas aquelas noites de cantoria e amor que faziam
a minha felicidade. Era a voz do cantor do rádio, o sabor dos cigarros, o
cheiro da multidão.
Eu
nunca tive o que reclamar porque quando eu fechava os braços ao meu redor,
pegava os corpos que dormiam espalhados em pé. A minha volta eram montanhas de
roupas e sapatos, eram as noites de trovadores, eram os rastros. Passos de
crianças que deixávamos nas areias para que soubéssemos voltar de onde tínhamos
vindo. Era a doçura da juventude sem saber o quê ou o porquê.





