Aquele seu professor, dentro da camiseta pólo e da calça jeans ou daquela camisa de manga comprida branca que ele costuma usar dois dias seguidos na semana. Aquele professor parece existir só pra deixar no ar que ele trai a esposa. Que dorme fora e, por isso, não faz a barba. De quebra faz questão de parecer com o Malvino Salvador, falando com um sotaque do interior, o s puxado, a lingua presa. Quando te cumprimenta, passa a mão no seu ombro, e quando está numa festa, bebe cerveja. Aliás, cerveja já foi motivo de conversa. Aquele seu professor que insiste em fazer a barba em véspera de prova, pra mostrar que tem tudo sob controle. A prova pronta, a barba feita. Que fica feliz com o seu desempenho nas aulas, nas provas e vai falar com você nos corredores até o fim da faculdade. Terminar as disciplinas que ele ministra não deve ser sua meta. Nem terminar a faculdade. Pra que gastar tanta força com isso? Sua meta, quando todo ano inicia, deve ser levá-lo pra cama, tirar a camisa, morder a língua e desbravar o Malvino Salvador que tem ali.
