Ele ia ao cinema de calça xadrez e pólo branca. Usava aquele típico Converse de couro branco e mochila retrô. Ele ia ao cinema sozinho. Comprava o combo individual, sentava na cadeira que normalmente é ao lado das preferidas dos grupos de amigos, onde a possibilidade de casais apaixonados é reduzida. Via filme de drama, desses israelenses ou Jane Austen, ou ainda almodovarenses. Às vezes arriscava um Trident ou um pacote de M&M’s, da embalagem amarela. Confete de chocolate era coisa para casais. Ele andava sozinho e comia amendoim confeitado. Seu preferido era o amarelo e qualquer ligação com a embalagem era mera coincidência. Tinha de ir ao cinema do Grupo Estação. Kinoplex é péssimo pro público no qual ele se identificava. Por lá só aparecem grupos. A minoria é sozinha, só os corajosos, que se assumem no meio da multidão, sem medo de represália. Ouviu dizer, certa vez, que atacaram um cara sozinho que foi ao cinema e depois disso fez carteirinha no Grupo Estação. Quando não era drama, era documentário. Nada em 3D. Em 3D é tudo muito real. E isso assusta.
