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08 junho 2011

Injustiçado


O injustiçado é aquele tipo que conversa no MSN e diz coisas que variam do “você não sabe o que eu passei esse tempo todo” ao “e você e aquele negão?”. No fim das contas acaba chorando e assistindo um filme vencedor do Oscar filmado lá pelos anos 70 ou 71. Se não for assim, apela para a Barbra Streissand. Mas nunca se faz entender. O injustiçado se cala e leva a fama. No fundo, gosta de levar a fama, é como um falso sentimento de superioridade que parece justificar aquele balde de jujubas e delicados que ingere durante toda a madrugada, escutando Tulipa Ruiz e assistindo Funny Girl.

O injustiçado não olha mais na cara com medo de que a justiça seja feita. Até o fim da vida, prefere ser o protagonista incompreendido. Cedendo a vida e a felicidade por grande mal-entendido. Mas quando acaba a novela, realiza o rumo que as coisas tomaram e desata a chorar. Desata a se lamentar.

Quando escreve, parece fazer justiça, reconhecendo sua burrice e sua falta de honestidade consigo próprio, fingindo ser mais maduro do que realmente é, fingindo entender que nunca foram feitos um para o outro. E quem disse que alguém é feito pra outra pessoa?

Mas isso é só ali, deitado em seu leito quente de janeiro. Entre quatro paredes e sozinho, não corre o risco de ninguém descobrir que esse personagem não cabe na corcunda dele. Ele quer é manter o status de coitadinho. Quem sabe isso não lhe descola desconto naquele rodízio de japonês?

27 fevereiro 2011

Pra não dizer que não falei do Oscar

Bravura Indômita - Jeff Bridges com uma voz irreconhecível e um sotaque de arrepiar os cabelos. Matt Damon realmente assumindo que está velho e gordo, mas nem por isso perdendo seu encanto. Os irmãos Cohen trazem uma belezinha juvenil para ressuscitar o velho-oeste e conseguem emocionar.



Cisne Negro - A trilha sonora é o Lago dos Cisnes. A protagonista é Natalie Portman. Odeio ser lugar comum, mas isso é a receita certa para um filme lírico. Não fossem as cenas obscuras e as sensações de agonia e pressão ao ver o esforço físico e psicológico das bailarinas. Não é porque tem bailarina que é filme de menina.



127 Horas - Agonia, angústia, nervoso, desespero e surrealismo. Eu ainda poderia escolher mais umas palavras pra descrever aquelas benditas 127 horas. Pensei que fosse impossível entreter e emocionar o espectador durante quase duas horas com um único personagem, um único cenário. Mas não. É de tirar o fôlego.



O Discurso do Rei - Impagável ver Colin Firth rodando no chão. Principalmente, depois daquela bela interpretação em A Single Man. É o encanto por trás da família real inglesa e a curiosidade que eles nos despertam. Era pra ser o filme sobre um líder, mas é o filme sobre um homem e seus medos.



A Rede Social - O dinheiro, o poder, o status. Nossa geração cresce em meio a amigos no Facebook e as ambições para o futuro. Amigos, amigos, negócios a parte. Sempre. Talvez seja a primeira vez que nós, usuários de internet, nos vemos retratados sem parecermos personagens do futuro. É contemporâneo, é presente.



O Vencedor - Mark Whalberg me fez esquecer que ele é ele. Que ele é o eterno carinha com a cueca da Calvin Klein. Christian Bale é bem mais que o Batman da franquia mais bem sucedida. E a Amy Adams... eu não me canso de adorar essa menina. Uma família que precisa entender o que é importante para obter a vitória. E um filme de família é sempre um filme de família.



Toy Story 3 - A gente precisa crescer e a parte boa disso, além de poder encher a cara e fazer sexo na Universidade, é começar a parecer um idiota, lembrando da infância e dos brinquedos daquela época. Fala sobre amizade e sobre sentimentos descartáveis. É impossível não chorar.



Inverno da Alma - Um filme inteso e realista, quase um documentario. Uma menina que tem que enfrentar o submundo do tráfico de drogas e a responsabilidade de garantir para os irmãos e a mãe um inverno menos rigoroso, coisa que ninguém foi capaz de garantir por ela.


A Origem - Efeitos especiais garantem um sucesso comercial e um roteiro interessante, com uma história misteriosa garantem um bom filme. É instigante, apesa de grande, e a primeira vista parece inovador. É uma linguagem batida, mas apresentada com toques de novidade. Eu não imaginaria uma viagem tão grande. E tem a Marion, mais o quê?


Minhas Mães e Meu Pai - Fala de assuntos cotidianos, da família do século XXI, mesmo que seja uma família fora dos padrões da sociedade. Duas mães lésbicas, de dois adolescentes que querem conhecer o pai. Uma boa maneira de mostrar que essas histórias existem e que essas famílias não têm nada de anormal.


03 março 2010

Pra não dizer que não falei do Oscar

Precious era obesa, negra, analfabeta, só comia frango do KFC, sua mãe gritava e dava ataque, mais ou menos como todas as mães do mundo. Seu pai a estuprava e com ele teve uma filha que tinha Síndrome de Down. Aos 16 estava esperando a segunda filha do pai. Mas eu nunca vi o rosto do pai dela. Sim, ela ainda tinha AIDS.


Sandra Bullock ficou loira, bonita e com uma escova impecável. Adotou um negro, obeso, semianalfabeto (porque já sego a nova ortografia) e o colocou pra jogar basquete. Ele teria que pagar todo o frango do KFC. Não, não se trata de uma sequência para Precious.


Seres azuis com dois metros de altura transam jogados em gramas cintilantes sob árvores psicodélicas e cores de neón. Seus nomes possuem apóstrofo. Eu adoro apóstrofos. Eles vivem em 3D, mas a Michele Rodrigues estava bronzeada. Como sempre. Salvem o planeta e parem de destruí-lo (usei a redundância para enfatizar).


O sorriso do George Clooney ganhou de qualquer adjetivo que o José Mayer possua. Tinha gente que jurava adorar ser demitida por ele. Ele ficou com a Vera Farmiga, num quarto de hotel barato, super casual. Colocou a Anna Kendrick no lugar dela, a saga Crepúsculo. Ninguém quer acabar sozinho. Ninguém quer ser demitido. Existe essa profissão?


Junte Brad Pitt, Quentin Tarantino e Hitler. Sangue. Ops, já falei Quentin Tarantino. É o final que todos queremos ver, é a interpretação que o Brad Pitt merece mostrar e o sotaque de italiano mais engraçado de todos os tempos. Ah, é uma pena colocar fogo no cinema (prontofalei).


Ninguém agüenta Cinema Italiano e a personagem da Kate Hudson é inútil. A da Sophia Loren também, mas a mulher tem 432 anos e está com mais cirurgias na cara que a Ana Maria Braga. Por favor, coloquem Chicago ou até Mamma Mia! no projetor. Mas a trilha sonora é boa de escutar, tomo banho ao som da Fergie pensando que é My Humps.


A Amy Adams é fofa cozinhando, cantando ou escrevendo num blog. Ela fofa até de cabeça pra baixo. E a Meryl Streep... ninguém me engana. Ela faz consultas em centro espírita. Aquilo com certeza é uma entidade da Julia Child.


Eu quero ficar velhinho e viajar numa casa cheia de balões. Eu posso colocar balões na minha casa mesmo sem a intenção de viajar com eles? Achei fofo, achei lírico e fiquei com vontade de conhecer as cataratas.


Veja a guerra de perto. Ouça a guerra de perto. Sue a guerra de perto. Eu cansei da guerra. Os 28 dias mais longos da minha vida. Sim, eles não explodem nenhuma bomba. Não, esse não é um spoiler. Compre DVD pirata, nossos (?) heróis também compram. Essa é a mensagem.


Transar com homem mais velho é bem mais legal que estudar. Mas homens velhos não prestam pra nada. Até o dia que você descobre que ele tem uma amante e que ela é você. Nesse dia, normalmente, ele para de comprar as coisas que comprava e de te levar pra viajar. Então só sobra o fato de ele ser mais velho. Então você não sabe nada de integrais e sociologia.