Mostrando postagens com marcador Arte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Arte. Mostrar todas as postagens

22 agosto 2011

Ar


Eu preciso de ar pra respirar. Acender um cigarro e sentir a fumaça invadindo os meus pulmões. E eu nem vou ligar se tiver neón, o que importa é que tenha ar e que eu possa respirar. Preciso dar uma volta pra poder voltar, pra ver se eu aguento um pouco mais disso que só me deixa sufocar.

Vou dizer logo que vai ser diferente, que vou começar do zero, que não vou ser o mesmo. Aquilo tudo que eu já fiz foi tão intenso, pra agora faltar um pouco de coisas rasas, experiências rasas, sentimentos rasos. E são eles que eu busco agora. Porque quanto mais próximo da superfície, mais fácil pra eu respirar.

Se nem assim eu me salvar, entrego os pontos para alguém que precisar mais que eu, porque precisar eu nem sei se preciso. Vou é sair daqui, ir a qualquer lugar em que encontre um pouco mais de ar, a chance de respirar.

30 agosto 2010

Quadrilha


Drummond amava Cecília, que era interessada por Clarice, que estava prometida a Graciliano. Esse, por sua vez, tinha um affair com Garcia Lorca, que morria de amores por Tarsila que era casada há dezoito meses apenas com Machado de Assis. Machado tinha um amor infantil por Capitolina, meio-irmã de Tom que costumava sair para as farras com Fernando. Fernando se vestia de mulher no jantar de todas as noites, fato abominado por Milton. Milton não entendia o conceito de crossdresser, que Ferreira insistia em lhe explicar. Ferreira só sabia dessas coisas por ser casado com Edith, mulher experiente e sábia dos assuntos da vida, amante de Maria Clara nas tardes no coreto, que dizia ao pai ir só pra ouvir o trovar de Chico. Chico tinha poesias secretas, feitas para uma tal de Madalena sobre a qual não se sabia muito. O que se conhecia da mulata era que vinha de Paquetá toda manhã, encantar os moços que poetavam e falar um pouco sobre os infortúnios de seus 16 anos.