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23 novembro 2014

Daquela dança


Você se lembra do dia que a gente dançou aquela música? Você dizia que aquela música era nossa e eu não entendia. Mesmo assim, sempre que ouvia, me lembrava da tarde que a gente dançou junto. Você parecia tão leve, tão infantil, tão doce. Seu cabelo também cheirava a doce. Eu lembro porque eu queria morder ele todo, colocar cada fio na minha boca e sentir seu gosto como quem come algodão doce. Você se lembra do toque da minha mão, guiando você? Eu me lembro do toque da sua. Sua mão estava meio úmida e você me dizia que estava assim porque era dezembro. A gente dançou e eu acho que durou só cinco minutos. Mesmo assim, só me lembro daquela dança, quando ouço aquela música. Eu lembro que o dia estava agitado e quente; que você usava aquela blusinha de alça e o cabelo amarrado. Eu lembro que eu queria te rodar mais vezes, que é para o vento que se formava ao nosso redor nos refrescasse um pouco. Mas você se mantinha estática, como quem espera uma sinfonia de cordas começar. E você me olhava.

23 maio 2014

Teresa


Teresa só pensa naquilo. Por aquilo leia-se pães de mel e dormir grudado sem roupa. Fui capaz de levar a situação o quanto pude até que me faltou força física. Muito antes já estava esgotado de ouvir seus gemidos e maquinar uma maneira de, na noite seguinte, controlar aquela mulher. Ela vivia dizendo o que queria. Um corpo colado ao seu durante toda a noite, acordar sendo beijada na parte interna da coxa, sentir perfume e suor nas primeiras e últimas horas do dia. Entre tudo isso, pedia por um caminhão de pães de mel. Implorava até. Seus dedinhos frágeis tremiam todos quando eu me deitava. Em menos de cinco minutos tamborilavam sobre minhas costas. Por muitas vezes ignorei até pegar no sono. E Teresa chorava ali do lado, se contorcia, não se segurava. Outras vezes cedi, mesmo a contragosto. Valia a pena por uma noite de sono bem dormida, sem as lamentações daquela alma perdida. E quando a encontrava, no fim do dia antes da janta, estava sempre com aquele olhar seco e vazio. O rosto sempre meio corado e a pele que ardia em febre. As unhas sujas de doce até que ela as lambia e pedia por mais.

25 agosto 2011

Doce


E trate de me dar aquela porção de doces que você sempre me promete quando estamos na cama. Me enche com seus algodões e seus suspiros. Me deixa todo melado quando comermos chocolates enquanto nos beijamos apaixonadamente. Me traz na boca aquele resto de brigadeiro e vai à cozinha para fazer mais. Me deixa gordo com essas balas e me refresca de sorvete com Leite Moça. Se não houver maneira de ser assim, vê se chega pelo menos na hora marcada com as paçocas e os beijinhos porque só assim posso te perdoar, enquanto me encho de bobeiras que vendem nas esquinas com a promessa de virem com vida. Me enche de vida e de amendoim, desses açucarados, cheios de açúcar. Mas muita atenção, quando você me interpreta se eu digo açúcar. Estou falando de açúcar mesmo. Toneladas. O suficiente pra me manter de olhos abertos e sorriso no rosto. Não importa o tamanho da minha barriga, me traga pavê pra gente se reconciliar. E se nem assim adiantar, você sabe o sabor da minha bomba favorita. Me suje de caramelo e lamba-me todo. Lamba-me como se meu suor fosse doce. Tão doce quanto os dedos de moça no chocolate que comemos outrora.