28 fevereiro 2011
27 fevereiro 2011
Pra não dizer que não falei do Oscar
Bravura Indômita - Jeff Bridges com uma voz irreconhecível e um sotaque de arrepiar os cabelos. Matt Damon realmente assumindo que está velho e gordo, mas nem por isso perdendo seu encanto. Os irmãos Cohen trazem uma belezinha juvenil para ressuscitar o velho-oeste e conseguem emocionar.
Cisne Negro - A trilha sonora é o Lago dos Cisnes. A protagonista é Natalie Portman. Odeio ser lugar comum, mas isso é a receita certa para um filme lírico. Não fossem as cenas obscuras e as sensações de agonia e pressão ao ver o esforço físico e psicológico das bailarinas. Não é porque tem bailarina que é filme de menina.
127 Horas - Agonia, angústia, nervoso, desespero e surrealismo. Eu ainda poderia escolher mais umas palavras pra descrever aquelas benditas 127 horas. Pensei que fosse impossível entreter e emocionar o espectador durante quase duas horas com um único personagem, um único cenário. Mas não. É de tirar o fôlego.
O Discurso do Rei - Impagável ver Colin Firth rodando no chão. Principalmente, depois daquela bela interpretação em A Single Man. É o encanto por trás da família real inglesa e a curiosidade que eles nos despertam. Era pra ser o filme sobre um líder, mas é o filme sobre um homem e seus medos.
A Rede Social - O dinheiro, o poder, o status. Nossa geração cresce em meio a amigos no Facebook e as ambições para o futuro. Amigos, amigos, negócios a parte. Sempre. Talvez seja a primeira vez que nós, usuários de internet, nos vemos retratados sem parecermos personagens do futuro. É contemporâneo, é presente.
O Vencedor - Mark Whalberg me fez esquecer que ele é ele. Que ele é o eterno carinha com a cueca da Calvin Klein. Christian Bale é bem mais que o Batman da franquia mais bem sucedida. E a Amy Adams... eu não me canso de adorar essa menina. Uma família que precisa entender o que é importante para obter a vitória. E um filme de família é sempre um filme de família.
Toy Story 3 - A gente precisa crescer e a parte boa disso, além de poder encher a cara e fazer sexo na Universidade, é começar a parecer um idiota, lembrando da infância e dos brinquedos daquela época. Fala sobre amizade e sobre sentimentos descartáveis. É impossível não chorar.
Inverno da Alma - Um filme inteso e realista, quase um documentario. Uma menina que tem que enfrentar o submundo do tráfico de drogas e a responsabilidade de garantir para os irmãos e a mãe um inverno menos rigoroso, coisa que ninguém foi capaz de garantir por ela.
A Origem - Efeitos especiais garantem um sucesso comercial e um roteiro interessante, com uma história misteriosa garantem um bom filme. É instigante, apesa de grande, e a primeira vista parece inovador. É uma linguagem batida, mas apresentada com toques de novidade. Eu não imaginaria uma viagem tão grande. E tem a Marion, mais o quê?
Minhas Mães e Meu Pai - Fala de assuntos cotidianos, da família do século XXI, mesmo que seja uma família fora dos padrões da sociedade. Duas mães lésbicas, de dois adolescentes que querem conhecer o pai. Uma boa maneira de mostrar que essas histórias existem e que essas famílias não têm nada de anormal.
24 fevereiro 2011
Conversas não ditas
E eu acreditando que fui sua primeira transa também. Talvez porque você não transasse tão bem. Não que fosse ruim, mas depois de você apareceram alguns bem melhores. É só que sabiam fazer direito. Eu nem sentia dor, eu até gozava. Gozar com você era tão difícil. Eu pensava, “nós vamos aprender juntos, eu e ele”.
Te larguei antes disso, ainda que às vezes lamente ter te largado. Foi bom pra mim e pra você. Quem sabe você já não tenha aprendido? Ainda que lamente que você não tenha aprendido comigo. Nem com as transas antes de mim.
A gente nunca teve essa conversa, na qual eu conto pra você que sei que você não era virgem antes de mim, que sei que você não dava o seu melhor para mim, que sei que você só queria me comer. Aquela em que eu falo que gostava de te dar prazer e que gostaria que você não tivesse mentido para mim. Rezando para que você não diga que eu nunca te dei prazer.
A gente nunca falou sobre a gente e sobre aqueles que você deixava nos rodear, porque eu sempre coloquei nas suas mãos o destino da relação. Até o dia que te larguei, te vi sofrer e te vi mentir. A gente nunca falou sobre a sua mentira, só sobre o seu sofrimento, que era tudo culpa minha.
Às vezes lamento ter te largado, lamento não ter conversado sobre essas coisas e lamento ter achado que o mundo seria bem melhor além você. Apesar das transas que encontrei, que nem doíam e até me faziam gozar, não encontrei um beijo como o seu. Daqueles que eu me sinto amada, esse eu lamento não mais dar.
21 fevereiro 2011
Diego
Daquele nome latino não gostava de lembrar. Só porque ele era loiro e magro e estranhamente mais burro. E eu continuo o mesmo, eu sei. Falando sem parar, ultrapassando os limites e sendo infantil e preconceituoso.
Logo eu, que sou toda hora vítima de preconceito. Porque, no fundo, eu sempre quis ser vítima. Minha mãe sempre dizia isso. E não dizem que a mãe da gente é quem mais nos conhece?
E toda a vez que ouvia aquele nome, a imagem lhe passava na cabeça. O rosto fino, o cabelo claro e arrepiado, algum papo sobre séries idiotas. Talvez Eu, a Patroa e as Crianças. Não é assim que se fala em português?
Nas fotos, me dava ódio vê-lo. Foi como eu planejei. Era para eu assistir àquele show. Mas não, eu estava lá, sozinho, procurando companhia para ir. Em vão. E agora estou aqui, sendo infantil e preconceituoso. Falando sem conhecer desse cara, como se ele só fosse capaz de distinguir os dedos dos pés e das mãos. E nada mais.
Mas é que vocês não entendem. Ouvir esse nome latino me dá nos nervos. Um calor que não tem nada de sensual. É tão genuíno.
18 fevereiro 2011
O aquariano
O aquariano do último dia de Aquário é como qualquer outro aquariano. Regido por Urano, tem como sua estação do ano o verão, ainda que não saiba o que isso quer dizer. Como qualquer aquariano, preza pela liberdade e pela originalidade. E olha que anda difícil encontrar algo realmente original, até em um aquariano. Talvez por isso se reinventa, mudando uma coisinha aqui, outra alí. Só pra fingir que é outra pessoa. Ora é de vanguarda e caga e anda, ora é só um rosto juvenil entregue aos lobos que não prestam.
Mas como qualquer aquariano, também contradiz algumas coisas que o horóscopo de hoje de manhã fala que existem em todos os aquarianos. Não é muito de amizade, é mais na sua, sem papo no MSN. Até tenta, mas parece não funcionar. Um grupo seleto se enquadra na sua lista, privilegiando os que estão distantes, que é pra se sabotar.
Não quer compromisso com nada. Nem com verdade, nem com dieta, nem com segredo, nem com ordem cronológica. É tudo só pra seduzir. Talvez por isso, se exile no Sol. De olho no futuro, ainda que muitas vezes ele pareça curto. De olho no humano, só pra rir da cara dele. Como um bom e qualquer aquariano. Dos que se preza, porque os que não se prezam... paciência.
Hoje o LOST CAUSE faz um ano, meu querido aquariano.
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17 fevereiro 2011
Playlist
Eu deixo minhas músicas no seu computador porque quero que você seja mais seleto. E quando digo isso, desejo ser abrangente. A respeito, inclusive, do tipo de pessoa com quem você anda transando. Eu não transaria comigo. Você também não deveria ser tão fácil. Não faz bem para os rins, uma tia diria.
Deixo minhas músicas no seu computador por ter a idiota idéia de que o dia em que eu me for, você irá ouvi-las e lembrar de mim. Com saudades, como se eu tivesse sido o melhor dos últimos acontecimentos da sua vida. Pelo menos a contar de 2000 pra cá.
Minhas músicas vão ficar no seu computador com o objetivo de manter acesa a nossa história. Porque não passou disso. O primeiro, o mais importante até o segundo. Mas foi bom e rendeu bons frutos e boas canções.
E agora as deixo no seu computador para que as escute antes de dormir, como se elas fossem promessa de um dia bom. Não só pra você, mas também para mim. Porque merecemos. Quase tanto quanto o tempo que vamos ganhando. Bem mais do que as chuvas estranhas do fim de dezembro.
15 fevereiro 2011
Do que eu conheci
Eu conheci sua mãe, o quarto e o banheiro dela. Conheci seu pai, mas até hoje não sei se cheguei a falar com ele ou se foi só de longe. Conheci sua avó, num cumprimento rápido assim na entrada e sem me despedir na saída. Conheci sua prima, através das fotos, e mais um monte de outros rostos que até hoje não faço idéia de quem sejam. Conheci o menino que você queria namorar quando era menor, assim, enquanto passava na sua rua, ele jogava bola com os outros meninos. Achei isso meio patético. Conheci seu quarto, sua cama. Deitamos no sofá da sua sala e foi lá que conheci suas mãos. Eu não queria desgrudar delas, não sei se você se lembra. Conheci sua cozinha, seu fogão e o fundo da sua lata de Nescau. Conheci seu café da manhã, seu jantar. Conheci a rua onde você mora e a escola onde estudou, mas isso foi tempos depois, quando fingíamos não mais nos conhecer. Conheci o cheiro da sua pele e o gosto do seu beijo. De vez em quando conhecíamos novas posições para a hora do sexo e novos carinhos. Conheci seu carinho e a sua preocupação em me trazer uvas verdes. Eu nunca mais comi uvas verdes. Parece que só se encontra na sua casa. Conheci Vanessa da Mata. Naqueles dias, conheci sua casa. Conheci onde você habita e onde tinha um pouco de mim, porque você queria. Justo você, que hoje eu não conheço. Conheci você, seus gostos, desgostos e, de quebra, a voz. Mas hoje em dia você nem fala e parece que tudo aquilo que eu conheci não existe mais. Conheci de longe a felicidade, os momentos felizes dos quais poetas otimistas vivem falando. Ela acenava assim, como quem quer aparecer para quem não quer vê-la. Tinha o seu formato e o cheiro que eu tanto conhecia.
12 fevereiro 2011
No vestiário
Enquanto uns fazem na cama e outros fazem na famosa micareta da Ivete, eles preferiam fazer algo parecido no vestiário do sub-solo. Se encontravam por volta das sete da manhã, antes e depois do almoço, e por volta das cinco da tarde. Às vezes faziam uma força e se encontravam depois da hora. Nesses casos, ia onde tivesse espaço. Ou um pouco de privacidade. Ou um cupcake de frutas silvestres. Eles adoram frutas silvestres.
Fazer na cama era ideal. Mas quem disse que nosso mundo é feito de ideais. Ideal seria também um não ter a barriga e o outro não ter as espinhas. Mas lá estavam eles. Fazendo. Honrando Chico Buarque e o que tinham entre as pernas. Por algum motivo, isso lhe lembrava sua mãe. Ao outro, lembrava o vestiário.
Por baixo daqueles sorrisos vazios e das mãos calejadas, escondiam uns momentos durante o dia. Porque só se ver não é suficiente. Na verdade, é quase tão suficiente quanto é a cama ou a famosa micareta da Ivete.
09 fevereiro 2011
Ali na superfície
Não tenho coragem de falar. Abrir essa minha boca pequena entre duas bochechas grandes e gordas e dizer o quanto eu quero tudo o que parece que você também quer. Enquanto isso vou esboçando esse sorrisinho infantil e dócil, fingindo ser mais dócil do que eu realmente sou (se é que sou dócil).
Faço o tipo bonzinho, aquele que não entende o que está acontecendo. O inocente que eu no fundo acho que você espera que eu seja. E nessa de me fingir de inocente, descubro que não sei nada sobre você, nada sobre mim, nada sobre o que realmente quero.
Só sei que quando a gente debruça na superfície, meio úmidos de tanto calor, o que eu quero é te abraçar e dividir essa umidade. Fazer você sumir nos meus braços e voltar pra onde a gente estava.
Mergulhar bem fundo nessa novidade. Até chegar na praia que você preparou para mim. E não me diga que você não preparou praia nenhuma para mim. Porque esse seu joguinho, esse que você faz tão magistralmente, eu só espero que ele queira dizer o que eu acho que ele diz.
Que você ao menos se excita ao me ver. E, se não se excita, sente vontade de se excitar. Nem sei se eu sou capaz de te satisfazer. Com o sorrisinho que mantenho no rosto, mesmo três anos depois, insisto em conquistar você.
06 fevereiro 2011
Bob's
Nosso namoro tinha gosto de Bob’s e desse gosto é impossível se livrar. Tanto que hoje eu evito. Só pra não ter você ao meu lado enquanto como um sanduíche qualquer de lá, ou tomo o maldito milk-shake. Eu costumava tomar o milk-shake.
Não é de hoje que os namoros são marcados. Uns com roupas de marca, outros com musicais, o nosso com hambúrguer do Bob’s. Era a nossa maneira de fazer história. Sentar na cadeira, comer, engordar e rodar. Como qualquer criança que se diverte só rodando na cadeira do Bob’s.
A gente costumava dominar, porque a prática faz dessas coisas. Sabíamos os gostos de todos os sanduíches, dos mais novos aos mais tradicionais. Agora eu já nem sei quais são os sanduíches de lá. Faz tempo que evito entrar.
E quando acaba, fica um gosto de carne na boca, misturado ao de batata frita meio mole, típico de lá. É o gosto da gente, que toda noite antes de se amar, nos deliciávamos nas gorduras do Bob’s. Esse gosto é impossível tirar. É você na minha boca.
03 fevereiro 2011
Lembranças
Ainda lembro o dia em que você me perguntou se podia me beijar. Mas que pergunta idiota, eu pensei. Em seguida agradeci em silêncio porque um beijo era tudo o que eu mais queria naquele momento.
Me lembro que você me tocava como se eu fosse feito de açúcar, ou pelo menos era assim que eu me sentia quando você me tocava. E eu sentia sua boca, descendo pelo meu dorso. Eu sentia prazer só de ver você ali do meu lado. Era como um sonho realizado. E nem nos meus melhores sonhos você ligaria uma música tão linda e me diria coisas tão legais.
Na verdade, eu não lembro se as coisas legais você chegou mesmo a dizer, mas toda vez que fecho os meus olhos e lembro, eu acabo lembrando essas coisas. Ou inventando-as.
O que eu lembro mesmo era de poder ver o mundo mais colorido, depois daquela manhã, de não ter sentido dor alguma. Se houvera dor, era desprezível tamanha a excitação. Se houvera dor, eu já nem me lembro mais.
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