19 junho 2017

Do mundo



Nasci no mundo e sou feito de carne e osso. O que junta a minha carne ao meu osso é esse meu eterno estado de solidão, que é típico desse maldito mundo. Esse mesmo do qual faço parte. Onde, de tempos em tempos, ecoa a minha gargalhada, que eu nem me lembro ser minha mais. Por um minuto, um minuto que parece mais veloz que os minutos normais, o mundo se abala, minha carne se solta, prevejo o caos frente à falta de estrutura. Quando olho ao meu redor, não vejo viva alma, tremendo dos pés à cabeça como estou. Sobem fantasmas com corpos perfeitos, sorrisos maliciosos, olhos úmidos. Eles me olham com fome, mas só com fome, que também é típica desse maldito mundo. Por um minuto, o mundo vira um paraíso e eu até vejo motivo em ser desse mundo de novo. Sinto o prazer desse mundo e dos outros malditos que também são dele. Então ele some, o mundo. E eu fico de novo sem dono, perdido.

Um comentário:

  1. Estranho mundo estranho!
    Impossível não partilhar desse estranhamento, as vezes me sinto totalmente inadequado e perdido nestes tempos...

    Complicado! Não é fácil não, mas... vamos que vamos...

    Abraço e tenha certeza que você não está sozinho nessa.

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