03 agosto 2010

Parada


Eles dançam como se fosse carnaval, sob o sol das três da tarde às três da manhã. E cantam músicas atrás do trio-elétrico mais brega de todos os tempos. Carregam faixas com dizeres, se fantasiam e usam o salto alto que fica escondido o ano inteiro. Colocam as perucas, sorriem e bebem aquela cerveja. Sim, três por dez. Alguns se arriscam mais e levam uma garrafa de alguma bebida quente e os outros aparecem lá com a roupa do trabalho. Vi até meia arrastão. É a oportunidade perfeita de misturar quem vem da Zona Sul com quem vem da Zona Norte. E ainda sobra aquele gringo com o chapéu de palha do lado daquela mulata(?) de vestido grudado. Ainda tem aqueles que se asseguram da paz. Eles ficam lá em cima, na varanda, olhando o mar que vem depois do mar de gente. E o mar anda tão colorido ultimamente. Tem sempre uma mulher, em cima do trio-elétrico, cantando, dançando e falando coisas engraçadas. Normalmente alguém que pareça com a Preta Gil, que é a Claudia Leite daquele dia, daquela praia. Sim, ainda tem a praia, ao fundo, cheia de gente que se diverte todos os dias do ano e não só naquele feriado. Alguns se beijam, beijam os amigos e os amigos dos amigos. Ao mesmo tempo. Isso depende de cada um. O que importa é que está meio que tudo liberado. Não, não se assuste, é só um dia, só uma praia. As pessoas falam de orgulho e sorriem, porque orgulho dá alegria ou alegria dá orgulho. E falam como se fosse militância usar bermuda de surfista, piercing e desfilar sem camisa. Evite a palavra desfile. Faça uma parada, antes que a Farme de Amoedo exploda, e finja que o que está fazendo é revolução.

13 comentários:

  1. sentimendos ambiguos sobre isso.

    mas concordo contigo... fingir que é revolução é o caminho, parece né?

    abs!

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  2. Eu não sei onde vc mora, meu caro amigo, para presenciar esse furdunço todo, mas deve ser um inferno... Bem como aos que acontecem na Paulista neah... Ou sei lá... Bjooo!

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  3. ai, eu não curto paradas não... sei lá... acho muito frevo

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  4. eu não vou às paradas mas acho que elas devam existir!
    e adoro como você escreve!

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  5. Acho engraçado o seu olhar para a "parada".
    Negar a revolução....mesmo com seus exageros, é neio reacinário!rs

    abraço

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  6. Gostei muito do seu texto, porque além de vc detalhar o acontecimento, vc tb fez reflexões que eu tb concordo. Pq muito do feito político da "parada" já foi deixado de lado.

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  7. não curto essa de "orgulho"
    acho que orgulho devemos ter de algo que fizemos, não de algo que somos e sobre o qual não temos controle.

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  8. "mina que choca"4 de agosto de 2010 01:35

    reacionário

    jah faz qs 1 ano q nao uso essa palavra
    desde q uma tchutchuca da engenharia veio falar algumas asneiras comigo
    e eu cheia de vontade , respondi "vc é uma reacionária"
    e ela nao sabia o significado da palavra

    a pior experiência da minha vida
    tentar ridicularizar uma pessoa e ela nao entender

    quem me mandou fazer engenharia???
    aff, fui eu

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  9. putz ... qta saudade dos amigos da Blogsville ... mas já de volta à rotina destas visitas tão prazerosas ...

    sinceramente, acho que as paradas nunca representaram nenhuma marcha revolucionária nem bandeira pela causa, mas tb não sou tão radicalmente contra as mesmas ... já participei e gostei de várias edições da parada de Sampa e tb aqui em BH ...

    sua percepção e sua forma de descrevê-la me agradaram muito ...

    bjux querido e obrigado pelo seu carinho por lá ...

    ;-)

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  10. Eu ainda quero crer que a mera exposição e alegria de todos seja uma maneira eficaz de dimunuir preconceitos. Ninguém gosta de panfletários verborrágicos, políticos. Que seja pela festa, então!

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  11. Os comentários da Isa são excepcionais....

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  12. Nesse ano, enquanto o mar de gente se espremia entre o mar salgado e os olhares que se hospedavam nas caríssimas cobertura de Copacabana, lá estava vc vendo o filme das mães lésbicas cujo os filhos resolvem conhecer o doador de esperma e isso gera uma enorme crise familiar! É, a cidade anda muito colorida mesmo! rsrsrsrs

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