19 maio 2010

Socialista


Ajudar os pobres era sua função de vida. Ela os pegava na rua, levava para seu apartamento, dava-lhes postas de salmão e copos de vinho. Bancava os programas a dois, a três e em comunidade. Bancava a erva que fumavam juntos em ocasiões especiais.

O que pedia em troca era um pouco de atenção, uns beijos na boca, submissão, carinho e algumas noites de sexo. Não os tratava como superior, ela gostava de se sentir igual, afinal vivia numa nação socialista.

O que pedia em troca era um bom cabelo crespo, mantido a base de falta de banho e, se houvesse banho, falta de shampoo. Não falava o que queria com todas as letras, só deixava a entender quando servia o almoço do dia.

Levar meninos carentes para casa era sua função. Não via graça nos que conseguiam pagar sua própria passagem de ônibus, ainda que não gostasse de ser assim. As tentativas de levar meninos auto-suficientes para casa foram todas fracassadas.

Mendigos carregavam nos olhos um pouco do que é genuíno e carioca. Mendigos eram a alma das ruas por onde passava e a voz dos discursos políticos que ela ouvia. Mendigos declaravam poemas que ela não conhecia e isso já bastava. Isso e o bom cabelo de dread grudado num couro cabeludo de pele escura.

2 comentários:

  1. casa, comida e roupa lavada20 de maio de 2010 22:39

    1º nada de erva doce, apenas chá de carqueja, pois dizem q emagrece

    2º há diferença entre fingir q é submisso e ser submisso...mentiras sinceras me interessam

    3º sempre tem banho e shampoo p manter o blck power/dread... só não tem condicionador

    4º na lapa à noite, qualquer pessoa pode confundir aquele g-athos do IFCS com um mendigo negro com black power

    por que estou postando aqui?... esse texto não é sobre mim msm!

    Isadora Pereira

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  2. Vivi, estudei, amei, e até cri,
    E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu

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