07 setembro 2011

Dark room


De repente os olhos se fecham e só o que se sente é o cheiro de cigarro misturado ao de suor alcoólico daquela noite. E como toda noite é escura, os outros sentidos se aguçam nas pontas dos dedos da mão e nos fios de cabelo.

Quando sente a mão puxar os fios de cabelo tão ralos e finos, parece puxar dentro de si a noite escondida e toda a escuridão daquela noite. E como os olhos estão fechados, o que enxerga é o halo que semeia em seu peito cabeludo, debaixo dos anos que se passaram.

É como se todas as luzes se apagassem, consumidas pelas mordidas úmidas. As costas suadas e o toque do suor, que desce correndo pelo corpo trêmulo e escuro. Tomados pelo gozo combinado, aquele seca o corpo e banha a camisa xadrez.

Se o cheiro fosse suficiente. Se o toque dos dedos dissesse algo. Se o gemido e o elogio pudessem ser sentidos.

4 comentários:

  1. Sempre ótimo mesmo. Dark rooms me dão medinho/nojinho. Na verdade, eu quero é VER a coisa, 'tendeu? :-)

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