10 junho 2010

Verdade


“A verdade é que eu tenho tanto amor e não sei onde colocá-lo”. Essa é a verdade. Eu dizia isso entre os dentes sujos de sangue. Meu sangue salgado com gosto de decepção. A verdade é que eu confundo doença e paixão. Eu sou uma pessoa confusa e acordo todo dia pensando em como vou dormir. O meu dia é uma eterna véspera da minha noite e a minha noite do meu dia. É nesse círculo infinito, como há de ser todo círculo um dia, que eu acordo e durmo. É na minha cama que eu reviro os meus pensamentos e essas minhas verdades. Como aquela que comecei há algumas lamentações atrás. A verdade é que peço todo dia a Deus que me coloque no caminho certo, na hora certa. Tem de haver um caminho pra mim, uma hora pra mim. Afinal de contas, tem pra todo mundo. Enquanto isso vou caindo de prédios em chamas, junto com os sapos que fazem questões de dizer verdades. Como aquela verdade que eu carrego no bolso esquerdo da minha calça velha, a minha preferida. “A verdade é que eu cresci e não sei como continuar”. A gente se acostuma a viver e não saber como é quando você tem que ser vivido. Ser vivido é ser usado e eu não sei como ser assim. Por isso vou dando de cara com as paredes chamuscadas, aquelas que não são lisas, que arranham, machucam e fazem com que agora eu esteja dizendo meia dúzia de delírios/verdades entre os dentes, sentindo o gosto do meu sangue. Ele é salgado. A verdade é que, no fundo, o sangue de todo mundo é salgado e não há nada que possa mudar isso. Nada.

11 comentários:

  1. como vc consegue?
    me explica isso?
    como vc consegue escrever com tanta frequencia textos tão bons?

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  2. Meu caro Antonio...agradeço sua visita, seu comentario, e peço-lhe mil desculpas, fui excluir um comentario desagradavel que estava no blog, e sem querer exclui o seu....

    Me perdoe a falha, e por favor não deixe de passar por la...

    abração

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  3. Nussa!
    Sabe quando surge um 'texto certo', pq todo mundo tem um. Esse é o que melhor me descreve agora. =S

    Adorei..

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  4. excelente escolha de cena.

    *

    e, sim, é verdade.
    precisou o Saramago morrer.
    vamos ver se tomo vergonha na cara e volto.

    até.

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  5. =O
    passado, dobrado e colocado no armário!
    que texto, hum?!

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  6. leitora insaciável26 de junho de 2010 09:50

    não vai atualizar mais essa inutilidade pública?

    Isadora Pereira

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  7. A nova imagem ficou ótima!

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  8. nem há palavras pra fazer um comentario.
    :)

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  9. Um mês sem um texto seu, é um tempo longo demais, não?

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  10. sua ânsia pelo viver é a ânsia de todos nós ... no momento certo e dentro de sua perspectiva o seu encontro se dará e a vida não será tão somente uma sucessão de dias e noites e nem haverá de ter um sabor salgado ...

    bjux

    ;-)

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